É falso que a primeira-dama da França, Brigitte Macron, seja uma mulher transgênero, como alegam posts nas redes. As alegações transfóbicas são infundadas. Não há qualquer registro de que Brigitte, que é casada com o presidente francês Emmanuel Macron, tenha passado por cirurgia de redesignação de gênero. Essa alegação enganosa, inclusive, já rendeu condenações na Justiça na França em 2022.
Publicações nas redes com o conteúdo mentiroso acumulavam 3.000 curtidas no Instagram e 9.000 compartilhamentos no X até a tarde desta quinta-feira (29). Os posts enganosos ainda circulam nas redes em outros idiomas.
O que corre por aí é que ela [Brigitte Macron] seria transgênero. Sim, sim. Que a Brigitte, ela seria transgênero.

Não, a primeira-dama da França, Brigitte Macron, não é uma mulher transgênero. A alegação transfóbica publicada nas redes é infundada e a teoria conspiratória circula desde 2017, durante o primeiro mandato do seu marido, Emmanuel Macron, como presidente da França.
Brigitte, que é ex-professora de teatro, tem três filhos, frutos de seu primeiro casamento com André-Louis Auzière — Sébastien Auzière, Tiphanie Auzière e Laurence Auzière —, e sete netos. Em nenhum momento de sua vida ela passou por cirurgias para redesignação de gênero.
A conspiração já foi, inclusive, desmentida pelo próprio Macron em uma solenidade oficial. Na ocasião, ele chamou de “humilhação” as alegações enganosas disseminadas contra sua esposa.
Mentira antiga. Os boatos de que a primeira-dama francesa seria uma mulher transgênero circulam ao menos desde 2017. Mas foi em 2021 que duas mulheres — uma autodenominada médium e a outra jornalista independente — disseminaram a teoria conspiratória de que Brigitte seria, na verdade, Jean-Michel Trogneux, seu irmão — o que é falso.
À época, a ex-professora denunciou as mulheres na Justiça francesa por difamação. Elas foram condenadas em 2022 a pagar uma multa de 500 euros pela suspensão condicional da pena, além de uma indenização de 8 mil euros para Brigitte Macron e de 5 mil euros ao irmão dela.
Desinformações envolvendo o casal Macron começaram a circular após a imprensa internacional flagrar a primeira-dama empurrando o rosto do presidente francês, assim que a porta do avião presidencial abria, durante o desembarque de ambos no Vietnã, na segunda-feira (26). O Palácio Eliseu tentou amenizar a situação dizendo se tratar de uma simples “briguinha de casal” e “brincadeira”.
Misoginia na política. Brigitte Macron não é a primeira mulher em evidência no mundo político a sofrer com ataques de ódio nas redes.
No ano passado, o Aos Fatos desmentiu boatos de que Michelle Obama e Kamala Harris também seriam mulheres transgênero. Harris ainda sofreu outros ataques misóginos e foi incluída em conspirações que a associavam ao tráfico de pessoas (veja aqui e aqui). No Brasil, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também é uma vítima frequente do discurso de ódio online.
O caminho da apuração
Aos Fatos apurou informações sobre a vida pessoal da primeira-dama da França, Brigitte Macron, e constatou que as alegações não se sustentam. A francesa, que está em seu segundo casamento, tem três filhos e sete netos. Não há registros de que ela tenha passado por procedimentos de redesignação de gênero e seu marido, Emmanuel Macron, já condenou a alegação publicamente.




