Brasil não caiu de 36º para 119º em ranking de educação durante governos do PT

Por Luiz Fernando Menezes

13 de abril de 2021, 17h47

Publicações nas redes sociais (veja aqui) enganam ao afirmar que o Brasil caiu da 36ª para a 119ª posição em um ranking mundial de educação durante os governos do PT, pois não existe uma classificação desse tipo. O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), levantamento mais próximo do alegado nos posts, nunca analisou dados de 119 nações e não confere aos países participantes uma única nota, mas três, de disciplinas diferentes (leitura, matemática e ciências).

Além disso, por mais que o Brasil tenha ficado na 36ª posição em leitura na avaliação de 2000 e em 59º lugar na de 2015, esses números não são comparáveis, pois novos países foram acrescentados entre as edições do Pisa. Em 2000, eram 40 nações avaliadas, número que subiu para 70 no ranking de 2015. Entre esses dois levantamentos, as notas dos alunos brasileiros apresentaram uma leve melhora, na média.

A peça de desinformação circulou inicialmente nas redes no começo de 2020, mas voltou a viralizar nas últimas semanas. Ao todo, as publicações já acumulam mais de cem mil compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (13), sendo 3.000 delas só nas últimas 24 horas. Todas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (veja como funciona).


Quanto o PT assumiu o governo a educação estava em 36º lugar no mundo, ‘investiu’ tanto que deixou em 119º. E a culpa é do Bolsonaro?

Não é verdade que os governos petistas fizeram a educação brasileira cair da 36ª para a 119ª posição em um ranking internacional, como alegam as postagens checadas. O único levantamento existente do tipo é o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), avaliação trienal realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que analisa o desempenho de estudantes de 15 anos em matemática, ciências e leitura. Mas nenhuma das edições dele avaliou mais de 80 países.

Além disso, por mais que o desempenho dos alunos brasileiros tenha ficado abaixo da média dos países da OCDE, entre as edições de 2000 e 2015, que abrangem as gestões petistas, houve uma pequena melhora em relação às médias estudantis, conforme Aos Fatos já mostrou. A adesão de novos países às edições do Pisa também influenciou para a suposta queda do Brasil no ranking: em 2000, eram 40; em 2015, 70. Isso torna os dados do ranking de nações incomparáveis entre os diferentes levantamentos.

Na primeira edição do Pisa, em 2000, o Brasil ficou em 36º lugar dos 40 possíveis em leitura, única disciplina avaliada naquele ano, com nota média de 396 pontos. Em 2015, o país caiu nessa disciplina para a 59ª posição, mas sua nota média melhorou: 407 pontos.

O mesmo ocorreu com as outras duas disciplinas. Em 2003, quando a matemática passou a ser avaliada, o Brasil ocupava a 40ª posição, com uma média de 356 pontos. Em 2015, a nota subiu para 377, mas caiu para o 65º lugar no ranking.

Já em ciências, que começou a ser avaliada em 2006, o Brasil saiu de uma média de 390 pontos, ocupando a 52ª posição, para alcançar 401 pontos e a 63ª colocação em 2015.

Essa não é a primeira vez que o desempenho educacional do Brasil é distorcido para atacar as gestões petistas. Em maio de 2019, publicações sugeriam que a gestão de Fernando Haddad (PT) no Ministério da Educação teria piorado as notas dos alunos no Pisa, o que não é verdade.

A Agência Lupa também desmentiu esta peça de desinformação.

Referências:

1. OCDE
2. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.