Brasil não ameaçou fechar embaixadas americanas caso Moraes seja alvo de sanções pelos EUA

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Não é verdade que o governo brasileiro ameaçou fechar as embaixadas americanas no país caso o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e sua família sofram sanções dos Estados Unidos. Procurado pelo Aos Fatos, o Itamaraty negou que tenha feito um anúncio do tipo e informou que, segundo o direito internacional, esse tipo de decisão cabe apenas aos EUA.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam centenas de compartilhamentos no Facebook, cerca de 1.300 curtidas no Instagram e milhares de visualizações no TikTok até a tarde desta sexta-feira (11).

Se o Alexandre for sancionado governo ameaça fechar embaixadas americanas

A imagem mostra parte do rosto de uma mulher com cabelo comprido e castanho, vestindo uma blusa bege de tricô. Em cima da imagem, há um texto em branco sobre um fundo vermelho que diz: “Se o Alexandre for sancionado governo ameaça fechar embaixadas americanas”. O texto está centralizado e ocupa a maior parte da imagem.

Publicações nas redes enganam ao afirmar que o governo brasileiro anunciou o fechamento de embaixadas americanas caso Alexandre de Moraes e sua família sofram sanções dos Estados Unidos. Além de o Itamaraty ter negado as alegações, Aos Fatos não encontrou nenhum anúncio similar no portal oficial do STF e na imprensa.

O ministério explicou que, conforme estipula o direito internacional, o eventual fechamento da embaixada ou dos consulados americanos no Brasil só pode ser determinado pelo governo dos Estados Unidos.

Em abril, Trump anunciou a possibilidade de encerramento de mais de 30 embaixadas e consulados pelo mundo. Os cortes faziam parte de um plano para rever gastos federais e eram capitaneados pelo bilionário Elon Musk, que na época ainda não havia entrado em conflito com o presidente americano. O Brasil não figurava na lista.

O governo brasileiro ainda não definiu nenhuma medida formal de retaliação às tarifas de 50% sobre exportações brasileiras anunciadas por Donald Trump na última semana. Na última quinta (10), o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), afirmou que um grupo de trabalho para estudar possíveis soluções foi criado.

Em nota publicada no último dia 9, o presidente Lula rebateu as acusações de Trump de que autoridades brasileiras estariam promovendo uma “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro e afirmou que “o Brasil é um país soberano com instituições independentes e que não aceitará ser tutelado por ninguém”.

O petista também desmentiu a alegação do republicano de que os EUA têm uma balança comercial deficitária com o Brasil e afirmou que decisões unilaterais de aumento de tarifas serão respondidas por meio da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite a adoção de medidas contra países ou blocos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas abusivas contra o Brasil.

Em nota, o Itamaraty classificou o texto de Trump como inaceitável. O representante da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, também foi convocado para prestar esclarecimentos após defender Trump. Escobar afirmou que a “perseguição política contra ele [Jair Bolsonaro], sua família e seus apoiadores é vergonhosa e desrespeita as tradições democráticas do Brasil”.

O caminho da apuração

Para verificar a veracidade da alegação, Aos Fatos consultou as redes oficiais do governo federal, do STF e do Ministério das Relações Exteriores. Também foram feitas buscas por comunicados e registros na imprensa nacional e internacional que pudessem confirmar a existência de alguma declaração oficial sobre o fechamento da embaixada ou consulados.

Além disso, a equipe entrou em contato por telefone com o Itamaraty, que negou ter realizado anúncio do tipo e esclareceu que a decisão do fechamento só poderia ser feita pelo governo americano.

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