Brasil e China não firmaram acordo comercial de 20 anos em resposta a tarifaço de Trump

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Não é verdade que o Brasil firmou um acordo comercial de 20 anos com a China após o presidente americano Donald Trump impor tarifas de 50% sobre a importação de produtos brasileiros. Em nota, a Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência desmentiu as alegações. O último tratado negociado pelos dois países foi assinado no ano passado e tem duração máxima de dez anos.

Publicações com o conteúdo falso acumulavam 5.000 compartilhamentos no X e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (15). Os posts enganosos também circulam em outros idiomas.

CHINA/BRASIL. Brasil assina acordo comercial de 20 anos com a China. ‘Chega de tarifas americanas’. Respeitem o Brasil.

Print de publicação no X que mostra, à esquerda, o presidente da China, Xi Jinping — homem amarelo de cabelos levemente grisalhos, que usa um terno azul marinho, camisa branca e gravata azul. À direita, está o presidente Lula — homem branco de cabelos grisalhos, que usa uma camisa social azul-escura. Acima, está a frase: ‘CHINA/BRASIL. Brasil assina acordo comercial de 20 anos com a China. ‘Chega de tarifas americanas’. Respeitem o Brasil’.

Posts nas redes enganam ao alegar que Brasil e China teriam firmado um acordo comercial de 20 anos após Trump anunciar tarifas de 50% sobre a importação de produtos brasileiros. Em nota, a Secom desmentiu a alegação. Os últimos tratados comerciais negociados entre os dois países foram assinados em 20 de novembro de 2024 e têm duração máxima de dez anos.

Durante visita ao Brasil no ano passado, o presidente chinês, Xi Jinping, assinou 37 acordos de cooperação com o governo brasileiro em mais de 15 áreas, que incluem agronegócio, educação e tecnologia. Os pactos foram concretizados em uma cerimônia em Pequim, ocorrida em maio deste ano.

A China se pronunciou sobre o tarifaço de Trump contra o Brasil na última sexta-feira (11). A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, criticou a decisão do presidente americano e alegou que “tarifas não deveriam ser uma ferramenta de coerção, intimidação ou interferência”.

Esta peça de desinformação também foi desmentida pelo Fato ou Fake e pelo Estadão Verifica.

O caminho da apuração

Aos Fatos entrou em contato com a Secom da Presidência por email, que negou que Brasil e China teriam firmado um acordo comercial após o tarifaço de Trump contra produtos brasileiros. A reportagem também consultou notícias publicadas na imprensa para contextualizar a verificação.

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