Brasil e China enviaram ajuda à Venezuela; Rússia, não

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Publicações nas redes afirmam que Brasil, China e Rússia não enviaram apoio à Venezuela após os terremotos do dia 24 de junho, mas, dos três, somente o governo russo não anunciou auxílio ao país. O Palácio do Planalto disse ter enviado cinco missões humanitárias com remédios, purificadores, bombeiros e técnicos federais. Já o regime chinês informou a doação de R$ 70 milhões em suprimentos emergenciais.

Posts com essa alegação distorcida reuniam ao menos 1 milhão de interações no X e no Instagram até a tarde desta quarta-feira (1).

🇷🇺 A Rússia não ajudou a Venezuela. 🇨🇳 A China também não. 🇧🇷 Nem o Brasil.

A imagem tem fundo preto e é composta por um texto na parte superior e uma fotografia na parte inferior. No topo, aparecem três linhas iniciadas pelas bandeiras da Rússia, da China e do Brasil. Ao lado da bandeira da Rússia está escrito: 'A Rússia não ajudou a Venezuela.'. Ao lado da bandeira da China: 'A China também não.'. Ao lado da bandeira do Brasil: 'Nem o Brasil.'. Abaixo, há dois parágrafos em letras brancas: 'Quem mais está ajudando o país destruído pelo comunismo e pelo terremoto são El Salvador, Argentina e Estados Unidos.' e 'Os comunista nunca ajudam, só exploram.'. Na metade inferior da imagem há uma fotografia noturna mostrando um grande avião militar cinza estacionado em uma pista de aeroporto. Na lateral da aeronave está escrito 'U.S. AIR FORCE', além de números e identificações pintados próximos à cabine. O avião está voltado para a direita, com um dos motores em destaque na parte esquerda da imagem.

O Brasil e a China enviaram, sim, ajuda humanitária após os terremotos na Venezuela, diferentemente do que afirmam as postagens checadas. Por outro lado, é fato que a Rússia ainda não anunciou recursos ao país.

O Palácio do Planalto disse ao Aos Fatos que envia ajuda à Venezuela desde quinta-feira passada (26). Até agora, segundo o governo, foram feitos cinco voos com medicamentos e insumos de saúde, purificadores de água, bombeiros militares, técnicos da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e da Defesa Civil Nacional e militares da Marinha.

O governo federal disse ainda que transportou material para manter um hospital de campanha gerido pela Marinha na Venezuela. A unidade terá capacidade para atendimento emergencial e cirurgias, além de um módulo infantil, segundo a Secom (Secretaria de Comunicação).

Nesta quarta-feira (1º), representantes do governo se reuniram com lideranças venezuelanas para tratar do apoio à reconstrução do país. Após o encontro, foi anunciado que o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal devem atuar na reconstrução das regiões atingidas.

A China também já anunciou envio de ajuda à Venezuela. Na sexta-feira (26), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiaku, disse que o país forneceria ajuda humanitária de emergência.

“Estamos prontos para oferecer mais apoio conforme a resposta ao desastre avançar”, disse Jiaku em uma entrevista à imprensa.

Na segunda (29), o governo anunciou a doação de suprimentos de emergência no valor de 100 milhões de yuans (cerca de R$ 70 milhões) e disse ter fornecido à Venezuela imagens de satélite das áreas atingidas pelo terremoto para auxiliar nas operações de resposta ao desastre.

As postagens checadas erram ao mencionar Brasil e China, mas acertam ao indicar que a Rússia não enviou ajuda humanitária à Venezuela até o momento.

Aos Fatos fez buscas na imprensa brasileira, venezuelana e russa e não encontrou anúncios de ajuda por parte do governo Putin. Também não foram localizados registros sobre isso nos canais oficiais russos. Aos Fatos entrou ainda em contato com a embaixada da Rússia no Brasil, mas não teve retorno até a publicação desta checagem.

O que há, até o momento, são declarações de solidariedade. Em carta à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, Vladimir Putin expressou "solidariedade e apoio ao povo amigo da Venezuela neste momento difícil", mas não prometeu ajuda humanitária ou financeira. A venezuelana reproduziu o comunicado do russo e agradeceu.

Os sites The Moscow Times e Brasil de Fato noticiaram na semana passada que diferentes porta-vozes do governo Putin teriam dado declarações de que a Rússia poderia analisar um pedido de ajuda humanitária da Venezuela. Desde então, não há outros registros que indiquem o envio de missões ou de recursos ao país sul-americano.

Contexto. Na noite de quarta-feira (24), a costa norte da Venezuela foi atingida por dois dos maiores terremotos registrados no país em mais de um século. Até o momento há ao menos 2.295 mortos e cerca de 11 mil feridos, segundo o governo venezuelano. A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que ao menos 50 mil pessoas estejam desaparecidas.

As operações de busca, resgate e reconstrução no país tem apoio internacional, incluindo equipes das Nações Unidas.

Desde o desastre, Aos Fatos tem desmentido uma série de desinformações sobre a tragédia, conteúdos gerados por IA e vídeos e fotos fora de contexto.

O caminho da apuração

Após analisar as postagens, Aos Fatos foi buscar informações na imprensa e nos canais oficiais dos governos dos três países. No caso do Brasil, a Secom da Presidência foi acionada e enviou uma nota que detalha as ações na Venezuela.

Para verificar a ajuda do governo chinês, Aos Fatos consultou as transcrições de duas entrevistas de um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. A embaixada chinesa no Brasil também foi acionada, mas não respondeu até a publicação da checagem.

A verificação sobre a Rússia foi feita com base em reportagens publicadas na imprensa russa, venezuelana e brasileira. Aos Fatos entrou em contato três vezes por telefone com a embaixada da Rússia no Brasil, mas não teve resposta.

Referências

  1. Agência Brasil (1 e 2)
  2. Embaixada da China (1 e 2)
  3. Instagram (@embajadarusaven)
  4. Telegram (@DrodriguezVen)
  5. The Moscow Times
  6. Brasil de Fato
  7. CNN Brasil (1, 2 e 3)
  8. g1
  9. Aos Fatos (1 e 2)
  10. disse

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