Publicações nas redes afirmam que Brasil, China e Rússia não enviaram apoio à Venezuela após os terremotos do dia 24 de junho, mas, dos três, somente o governo russo não anunciou auxílio ao país. O Palácio do Planalto disse ter enviado cinco missões humanitárias com remédios, purificadores, bombeiros e técnicos federais. Já o regime chinês informou a doação de R$ 70 milhões em suprimentos emergenciais.
Posts com essa alegação distorcida reuniam ao menos 1 milhão de interações no X e no Instagram até a tarde desta quarta-feira (1).
🇷🇺 A Rússia não ajudou a Venezuela. 🇨🇳 A China também não. 🇧🇷 Nem o Brasil.

O Brasil e a China enviaram, sim, ajuda humanitária após os terremotos na Venezuela, diferentemente do que afirmam as postagens checadas. Por outro lado, é fato que a Rússia ainda não anunciou recursos ao país.
O Palácio do Planalto disse ao Aos Fatos que envia ajuda à Venezuela desde quinta-feira passada (26). Até agora, segundo o governo, foram feitos cinco voos com medicamentos e insumos de saúde, purificadores de água, bombeiros militares, técnicos da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e da Defesa Civil Nacional e militares da Marinha.
O governo federal disse ainda que transportou material para manter um hospital de campanha gerido pela Marinha na Venezuela. A unidade terá capacidade para atendimento emergencial e cirurgias, além de um módulo infantil, segundo a Secom (Secretaria de Comunicação).
Nesta quarta-feira (1º), representantes do governo se reuniram com lideranças venezuelanas para tratar do apoio à reconstrução do país. Após o encontro, foi anunciado que o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal devem atuar na reconstrução das regiões atingidas.
A China também já anunciou envio de ajuda à Venezuela. Na sexta-feira (26), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiaku, disse que o país forneceria ajuda humanitária de emergência.
“Estamos prontos para oferecer mais apoio conforme a resposta ao desastre avançar”, disse Jiaku em uma entrevista à imprensa.
Na segunda (29), o governo anunciou a doação de suprimentos de emergência no valor de 100 milhões de yuans (cerca de R$ 70 milhões) e disse ter fornecido à Venezuela imagens de satélite das áreas atingidas pelo terremoto para auxiliar nas operações de resposta ao desastre.
As postagens checadas erram ao mencionar Brasil e China, mas acertam ao indicar que a Rússia não enviou ajuda humanitária à Venezuela até o momento.
Aos Fatos fez buscas na imprensa brasileira, venezuelana e russa e não encontrou anúncios de ajuda por parte do governo Putin. Também não foram localizados registros sobre isso nos canais oficiais russos. Aos Fatos entrou ainda em contato com a embaixada da Rússia no Brasil, mas não teve retorno até a publicação desta checagem.
O que há, até o momento, são declarações de solidariedade. Em carta à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, Vladimir Putin expressou "solidariedade e apoio ao povo amigo da Venezuela neste momento difícil", mas não prometeu ajuda humanitária ou financeira. A venezuelana reproduziu o comunicado do russo e agradeceu.
Os sites The Moscow Times e Brasil de Fato noticiaram na semana passada que diferentes porta-vozes do governo Putin teriam dado declarações de que a Rússia poderia analisar um pedido de ajuda humanitária da Venezuela. Desde então, não há outros registros que indiquem o envio de missões ou de recursos ao país sul-americano.
Contexto. Na noite de quarta-feira (24), a costa norte da Venezuela foi atingida por dois dos maiores terremotos registrados no país em mais de um século. Até o momento há ao menos 2.295 mortos e cerca de 11 mil feridos, segundo o governo venezuelano. A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que ao menos 50 mil pessoas estejam desaparecidas.
As operações de busca, resgate e reconstrução no país tem apoio internacional, incluindo equipes das Nações Unidas.
Desde o desastre, Aos Fatos tem desmentido uma série de desinformações sobre a tragédia, conteúdos gerados por IA e vídeos e fotos fora de contexto.
O caminho da apuração
Após analisar as postagens, Aos Fatos foi buscar informações na imprensa e nos canais oficiais dos governos dos três países. No caso do Brasil, a Secom da Presidência foi acionada e enviou uma nota que detalha as ações na Venezuela.
Para verificar a ajuda do governo chinês, Aos Fatos consultou as transcrições de duas entrevistas de um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. A embaixada chinesa no Brasil também foi acionada, mas não respondeu até a publicação da checagem.
A verificação sobre a Rússia foi feita com base em reportagens publicadas na imprensa russa, venezuelana e brasileira. Aos Fatos entrou em contato três vezes por telefone com a embaixada da Rússia no Brasil, mas não teve resposta.





