Bolsonaro não excluiu de suas redes sociais fotos em que promove a cloroquina

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Diferentemente do que afirmam postagens nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro não excluiu de suas contas todas as fotos em que promove a cloroquina contra a Covid-19, o que não tem eficácia provada. Muitas das imagens que teriam supostamente sido apagadas constam nos perfis dele no Facebook, Twitter, YouTube e Instagram.

O conteúdo enganoso (veja aqui) reunia ao menos 12.400 compartilhamentos no Facebook nesta segunda-feira (18) e foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


“Após dizer que nunca promoveu o uso de cloroquina, nem fez propaganda do remédio, Bolsonaro excluiu todas as fotos com o medicamento do Instagram."

É falso que Jair Bolsonaro excluiu todas as fotos promovendo a cloroquina de suas redes sociais. Por meio de busca reversa, o Aos Fatos foi capaz de localizar diversas imagens do presidente da República com o medicamento, sem eficácia comprovada para a Covid-19, ainda presentes em seus perfis oficiais nas principais redes sociais.

Uma foto em que Bolsonaro aparece segurando uma caixa de sulfato de hidroxicloroquina em frente a uma mesa de café da manhã, e que teria sido supostamente excluída, aparece como publicada no dia 25 de julho de 2020 em suas contas no Instagram e no Twitter.

Outras imagens divulgadas são frames de transmissões ou aparições públicas exaltando o medicamento (confira aqui, aqui e aqui). Em ambas as redes também é possível encontrar um vídeo contendo um compilado de fotos.

No Facebook há referências à cloroquina em diversas publicações (confira aqui, aqui, aqui) na página do presidente, assim como em seu canal no YouTube.

Em algumas peças de desinformação que circulam no Facebook é alegado que o presidente teria voltado atrás e dito que nunca promoveu o uso de cloroquina, nem fez propaganda do remédio. Aos Fatos localizou apenas uma declaração similar, dada em julho do ano passado, em que o presidente diz que "não recomenda nada", mas ressaltou que o remédio foi eficaz no caso dele e orientou as pessoas a buscarem orientação médica.

As alegações de que Bolsonaro teria excluído fotos ou publicações em que promovia o medicamento começaram a circular no Twitter na manhã de segunda-feira (18), mas nenhuma publicação fornecia provas de que isso tinha acontecido. Posteriormente, outros perfis questionaram a veracidade da informação e ajudaram a amplificar os rumores.

Mentira. Nesta semana, o Aos Fatos mostrou que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, mentiu ao dizer que sua pasta não promove nem tem protocolos que indicam o uso combinado de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, o chamado "tratamento precoce". Além de existirem orientações do ministério nesse sentido desde maio do ano passado, o próprio Pazuello e o ministério já estimularam a utilização dessas drogas.

Além do ministro, o presidente Jair Bolsonaro é outro entusiasta do tratamento precoce e em ao menos 42 ocasiões já defendeu que medicamentos como hidroxicloroquina, ivermectina e nitazoxanida seriam eficazes contra a Covid-19. Nenhum desses remédios, no entanto, tem eficácia comprovada contra a doença.


De acordo com nossos esforços para alcançar mais pessoas com informação verificada, Aos Fatos libera esta reportagem para livre republicação com atribuição de crédito e link para este site.

Referências

  1. Instagram (1, 2, 3, 4 e 5)
  2. Twitter (1 e 2)
  3. Facebook (1, 2 e 3)
  4. YouTube

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