Bolsonaro não disse 'que o isolamento acabe, a vida volte ao normal e morram quantos tiverem de morrer'

Por Marco Faustino

24 de maio de 2021, 15h59

Não há registros públicos de que o presidente Jair Bolsonaro tenha dito “que o isolamento acabe, a vida volte ao normal e morram quantos tiverem de morrer”, como alegam nas redes sociais (veja aqui). A frase consta em artigo do ano passado da jornalista Tereza Cruvinel no site Vermelho e, na realidade, resume o que a autora interpretou de declarações que o mandatário havia dado sobre a pandemia no Brasil.

Publicações com o conteúdo enganoso somavam ao menos 1.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta segunda-feira (24) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


Que o isolamento acabe, a vida volte ao normal e morram quantos tiverem de morrer - Jair Bolsonaro

Postagens nas redes sociais atribuem a Jair Bolsonaro a frase “que o isolamento acabe, a vida volte ao normal e morram quantos tiverem de morrer”, mas não há registros públicos de que o presidente tenha dado essa declaração exata. Na verdade, a sentença aparece em texto da jornalista Tereza Cruvinel para o site Vermelho como se resumisse, na visão da autora, o discurso do mandatário sobre a gestão da pandemia.

Em trecho do texto Bolsonaro abre o jogo: que morram quantos tiverem de morrer, publicado em 18 de abril de 2020, Cruvinel escreveu: “nas últimas horas, em duas falas, Jair Bolsonaro foi o mais explícito possível quanto ao seu plano macabro para o Brasil na pandemia: que o isolamento social acabe, a vida volte ao normal e morram quantos tiverem de morrer”. O artigo, portanto, expressa que essa citação seria uma interpretação da autora, não uma declaração exata do presidente.

A frase de Cruvinel foi baseada em dois comentários do presidente. Em 17 de abril, na posse do então ministro da Saúde Nelson Teich, Bolsonaro defendeu a reabertura do comércio e disse que assumiria a responsabilidade por essa medida (confira aqui). Na outra, de 18 de abril, ele disse a apoiadores que 70% da população pegaria a Covid-19.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro já fez ao menos 48 afirmações enganosas sobre medidas de isolamento social, aponta o contador do Aos Fatos de checagens do presidente.

Referências:

1. O Vermelho
2. YouTube
3. Correio Braziliense
4. Aos Fatos


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