Bolsonaro não foi inocentado de acusações da CPI da Covid-19

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Não é verdade que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi inocentado das acusações de crime feitas pela CPI da Covid-19, como afirmam postagens nas redes. O que houve foi o arquivamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de uma notícia-crime sobre interferência na comissão. Há um inquérito em andamento na Corte que investiga as acusações feitas pelo relatório da CPI contra Bolsonaro.

Os posts enganosos acumulavam mais de 35 mil compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (6).

Bolsonaro é inocentado sobre a CPI da Covid e o silêncio da mídia é gritante. Ninguém fala nada!

A imagem exibe Jair Bolsonaro — homem de pele clara e cabelo curto escuro — vestindo terno escuro, camisa azul-clara e gravata listrada em tons de amarelo e escuro. Posicionado diante de um microfone com partes da bandeira do Brasil visíveis ao fundo, ele segura uma máscara facial branca pelas alças com a mão direita, enquanto mantém o dedo médio estendido para cima. No canto superior esquerdo, há um ícone circular vermelho de proibição sobreposto à silhueta preta de um perfil humano com a boca aberta. Na parte inferior, um elemento gráfico simula um letreiro de noticiário com a aba 'NEWS' e um bloco azul contendo o seguinte texto em letras maiúsculas brancas: 'BOLSONARO É INOCENTADO SOBRE A CPI DA COVID E O SILÊNCIO DA MÍDIA É GRITANTE. NINGUÉM FALA NADA!'. Há também pequenos trechos com borrões retangulares no lado direito da imagem.

São enganosas as publicações que afirmam que Bolsonaro teria sido inocentado das acusações da CPI da Covid-19. Na verdade, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kássio Nunes Marques arquivou, em julho, uma notícia-crime específica contra o ex-presidente. Bolsonaro, no entanto, continua investigado por sua atuação na pandemia.

A ação arquivada havia sido movida por deputadas do PSOL, que acusavam o ex-presidente de ter interferido no andamento da CPI. As parlamentares argumentaram que Bolsonaro ligou para o senador Jorge Kajuru (PSB-GO) para pedir que a comissão investigasse os governadores.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) entendeu que a ligação foi uma conversa informal e, por isso, enviou um parecer ao STF indicando que não encontrou indícios de crime e que a ação deveria ser arquivada. Nunes Marques, então, acolheu o parecer.

O arquivamento foi noticiado por jornais tradicionais como O Globo e Estadão, bem como sites como o UOL e o Terra. E, por conta disso, não é verdade que foi “silenciado” pela imprensa.

As publicações desinformativas omitem que Bolsonaro ainda é investigado em outra apuração, que está em andamento. A abertura deste inquérito foi determinada em setembro do ano passado pelo ministro Flávio Dino, que acatou pedido da PF. A intenção desta investigação é apurar as conclusões do relatório final da CPI da Covid-19.

“Destaco que a investigação parlamentar apontou indícios de crimes contra a Administração Pública, notadamente em contratos, fraudes em licitações, superfaturamentos, desvio de recursos públicos, assinatura de contratos com empresas de ‘fachada’ para prestação de serviços genéricos ou fictícios, dentre outros ilícitos mencionados no relatório da CPI”, escreveu Dino em sua decisão.

O relatório final indiciou o ex-presidente por nove crimes, incluindo prevaricação, charlatanismo e até crimes contra a humanidade.

O processo corre em sigilo e tem como alvo, além de Bolsonaro, seus três filhos — Flávio, Eduardo e Carlos — e outros parlamentares aliados, como a deputada Bia Kicis (PL-DF) e a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP).

Contexto. As peças de desinformação têm circulado após a nova onda de desinformação sobre a doença, alimentada pelo debate de Anthony Fauci, principal assessor médico da Casa Branca durante a pandemia de Covid-19, no Senado dos EUA no dia 29 de julho.

Uma imagem de média distância captura Anthony Fauci e Joe Biden sentados em poltronas bege de encosto alto em um escritório que se assemelha ao Salão Oval. Fauci, um homem de pele clara e cabelo curto grisalho, está em foco e olha para a direita, em direção a Biden. Ele veste um terno azul-marinho com um padrão xadrez sutil, uma camisa social azul-clara e uma gravata escura texturizada. Biden, posicionado em primeiro plano à direita e desfocado, é um homem de pele clara com pouco cabelo grisalho, usando um paletó azul-marinho. Suas mãos estão visíveis no canto inferior, segurando uma caneta sobre alguns papéis desfocados. O fundo mostra uma parede com papel de parede de padrão claro e rodapés brancos.
Fauci foi assessor da Casa Branca e diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas durante a gestão de Joe Biden (Casa Branca)

Os republicanos interrogaram Fauci e disseminaram diferentes desinformações sobre a doença e os métodos de proteção, como máscaras e vacinas.

Durante a audiência, no entanto, Fauci invocou a Quinta Emenda da Constituição americana, que garante o direito de silêncio para que uma pessoa não produza provas contra si mesma.

A recusa de responder aos questionamentos, no entanto, foi interpretada por críticos como um indício de que ele estaria ocultando informações ou até confirmando as desinformações alegadas pelos senadores. Tanto é que o silêncio de Fauci tem sido compartilhado nas redes como se fosse uma prova de que Bolsonaro esteve “sempre certo” durante a pandemia ao defender remédios sem eficácia contra a doença.

O caminho da apuração

Aos Fatos procurou as informações sobre a decisão arquivada citada nos posts e também sobre outras investigações que miram o ex-presidente Jair Bolsonaro. A reportagem também entrou em contato com a assessoria de imprensa do tribunal, que respondeu que não possui informações públicas sobre o processo porque ele está sob sigilo.

Por fim, Aos Fatos procurou informações na imprensa sobre o contexto em que a peça de desinformação está circulando.

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