Não é verdade que a BMW apreendida pela PF na casa do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes — o “Careca do INSS” — pertencia à mulher de um ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) indicado por Jair Bolsonaro (PL). Segundo o ministro Jhonatan de Jesus, nomeado pelo presidente Lula, o veículo foi vendido um mês antes da operação policial.
As peças de desinformação acumulavam 400 mil visualizações no TikTok e 8.700 mil curtidas no Instagram até a tarde desta segunda-feira (26).
Quer dizer que a BMW do Careca do INSS está no nome da mulher do ex-ministro do TCU de Bolsonaro? A CPI está mirando no Lula e vai acertar no Bolsonaro

Peças de desinformação nas redes enganam ao alegar que a BMW apreendida pela PF na casa do “Careca do INSS” pertencia à mulher de um ministro do TCU indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Os posts fazem duas distorções:
- O veículo apreendido em 23 de abril havia sido vendido a uma empresa do “Careca do INSS” um mês antes da operação e só estava em nome da mulher do ministro do TCU devido a um atraso no processo de transferência;
- O ministro Jhonatan de Jesus foi nomeado em 2023 pelo presidente Lula (PT), não por Bolsonaro, após ser indicado pela Câmara dos Deputados.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Jesus afirmou que a BMW foi vendida de forma legítima e regular em 27 de março deste ano. A negociação foi intermediada por um terceiro, que vendeu o carro à empresa Brasília Consultoria Empresarial, da qual Antônio Carlos Camilo Antunes é sócio.
O ministro, que afirmou não conhecer o lobista, explicou ainda que o veículo continuava em nome de sua mulher devido a um atraso no processo de transferência de documentação.
Em maio, após a apreensão feita pela PF, a BMW já aparecia em nome da empresa Brasília Consultoria Empresarial, segundo reportagem do Metrópoles.
Indicado pela Câmara dos Deputados, com o apoio do então presidente Arthur Lira (PP-AL), Jesus foi nomeado pelo presidente Lula ministro do TCU em março de 2023, após aprovação do Senado.
Investigações da PF apontam que Antunes teria recebido R$ 53,5 milhões de entidades associativas e de intermediárias e repassado R$ 9,3 milhões a servidores e empresas ligadas à cúpula do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O lobista é apontado como um dos principais personagens do esquema criminoso.
Aos Fatos já desmentiu diversas peças de desinformação envolvendo a fraude do INSS, que fomentam um conflito de versões sobre quem teria responsabilidade sobre o caso.
De um lado, aliados e apoiadores do ex-presidente apontam que o governo Lula sabia sobre o esquema e não fez nada para coibi-lo, ou que o petista e a primeira-dama teriam parte na fraude. De outro, a base governista organizou uma campanha para reforçar o argumento enganoso de que os desvios teriam começado em 2019, durante o governo Bolsonaro.
O caminho da apuração
Aos Fatos utilizou informações apuradas pela imprensa e contextualizou o assunto com checagens próprias de desinformações que circulam sobre o lobista e também sobre o esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.




