A explosão no número de usuários brasileiros no Bluesky após a suspensão do X (ex-Twitter) no Brasil, em agosto passado, fez saltar as denúncias de conteúdo na plataforma, que alcançaram picos de até 50 mil registros diários.
A sobrecarga obrigou a rede social a ampliar o uso de automação na análise de denúncias e, pela primeira vez, a contratar uma equipe terceirizada de moderadores.
As informações constam no relatório de moderação referente a 2024, ano em que a rede social estreou para o público geral após abertura restrita a convidados. Com a liberação do acesso, o Bluesky passou de 2,89 milhões para 25,94 milhões de usuários no fim do ano passado. Nesta quinta-feira (29), a plataforma anunciou ter chegado à marca de 30 milhões de usuários.
Segundo a empresa, em 2024, os usuários da plataforma enviaram 6,48 milhões de denúncias para moderação, número que equivale a 17 vezes o registrado no ano anterior. A maior parte das denúncias ocorreu a partir de setembro.

A plataforma diz que, até a invasão brasileira, sua equipe de moderação levava uma média de 40 minutos para analisar cada conteúdo reportado. A partir do final de agosto, porém, as denúncias começaram a acumular.
“Para lidar com isso, ampliamos nossa equipe de moderação em português, implementamos varreduras constantes e ferramentas automatizadas para áreas de alto risco, como a segurança infantil, e, pela primeira vez, contratamos moderadores por meio de uma empresa terceirizada”, diz o relatório.
Ainda segundo o documento, a rede já contava com um sistema de detecção automática de spam, mas, com o crescimento no Brasil, começou a estender a automatização para outros tipos de denúncias — caso da análise de perfis falsos.
“Mesmo com a implementação da automação para acelerar nossas respostas, os moderadores humanos continuam envolvidos no processo — todos os recursos e falsos positivos são revisados manualmente”, explica o relatório.
Procurado pelo Aos Fatos, o Bluesky não quis informar o número de contratações efetuadas para lidar com o crescimento do mercado brasileiro, mas explicou que a admissão de moderadores fluentes em português tem como objetivo “garantir o contexto cultural adequado nas decisões de moderação”.
A ferramenta que sinalizava como extremistas posts contendo “KKK” (sigla do movimento supremacista branco Ku Klux Klan), por exemplo, precisou ser calibrada para perceber que a expressão é uma gíria brasileira para riso.
“O grande aumento de usuários brasileiros transformou o Bluesky em um aplicativo predominantemente em português no período”, avaliou também a empresa na nota enviada ao Aos Fatos.
O caminho da apuração
Aos Fatos teve acesso ao relatório de moderação do Bluesky, publicado no dia 17 de janeiro, e procurou a assessoria de imprensa da empresa para pedir mais detalhes sobre as adaptações feitas na plataforma após o aumento no número de usuários brasileiros.




