🕐 ESTA REPORTAGEM FOI PUBLICADA EM Julho de 2023. INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE TEXTO PODEM ESTAR DESATUALIZADAS OU TEREM MUDADO.

Barroso não mentiu ao afirmar que autoridades defenderam contagem manual dos votos

Por Marco Faustino

21 de julho de 2023, 18h29

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso não mentiu ao afirmar que autoridades propuseram implementar a contagem manual dos votos nas eleições brasileiras. As peças de desinformação que fazem essa alegação compartilham um trecho de um discurso de 2022 em que o magistrado diz ter se oposto à proposta e é então chamado de mentiroso por uma pessoa na plateia. Em substitutivo apresentado em 2021 à chamada PEC do Voto Impresso, o deputado Filipe Barros (PL-PR) de fato defendeu a contagem manual dos votos, proposta posteriormente rejeitada pela Câmara.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam ao menos 40 mil compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (21). As peças de desinformação circulam também na plataforma de vídeos curtos Kwai.


Selo falso

Barroso se lascou na mentira dele

Vídeo mostra momento em que ministro do STF Luís Roberto Barroso é interrompido em palestra por pessoas que alegam falsamente que magistrado mentiu ao dizer que houve discurso oficial a favor da contagem manual de votos

Publicações nas redes compartilham um trecho de um discurso do ministro Luís Roberto Barroso no evento Brazil Forum UK, ocorrido no ano passado em Londres, na Inglaterra, para afirmar que o magistrado mentiu ao dizer que autoridades defenderam um sistema de contagem manual dos votos para as eleições brasileiras. Ao dizer que se opôs à medida, Barroso foi interrompido por uma pessoa na plateia, que o chamou de “mentiroso”. É fato, no entanto, que o deputado Filipe Barros, relator da PEC 135/2019, conhecida como PEC do Voto Impresso, fez proposta semelhante em 2021.

Em substitutivo apresentado em junho daquele ano ao projeto da deputada Bia Kicis (PL-DF), Barros defendeu que “(...) a apuração dos votos dar-se-á exclusivamente de forma manual, por meio de contagem de cada um dos registros impressos de voto, em contagem pública nas seções eleitorais, com a presença de eleitores e fiscais de partido”. A proposta, defendida pela base do governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL), foi rejeitada pela comissão especial criada para analisar a PEC.

À época presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Barroso foi convidado por essa comissão e se posicionou contra a proposta de impressão do voto. Segundo ele, “a introdução do voto impresso seria uma solução desnecessária para um problema que não existe, com aumento relevante de riscos”.

Depois da rejeição à proposta de Barros, o deputado Raul Henry (MDB-PE), escolhido como novo relator, apresentou parecer em que recomendava a rejeição da PEC e criticava a proposta pela possibilidade de fraude. O parecer foi aprovado pela comissão especial. Posteriormente levada à votação no plenário da Câmara, a PEC foi definitivamente arquivada em agosto por 229 votos a 218.

Referências:

1. Brazil Forum UK
2. UOL (1, 2, 3)
3. Câmara dos Deputados (1, 2, 3, 4, 5)
4. Carta Capital

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