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Aumento da energia elétrica impede redução real de gastos administrativos do governo

2 de fevereiro de 2016, 19h40

Aumento da energia elétrica impede redução real de gastos administrativos do governo

Dilma afirma que Executivo conseguiria ter economizado 10,2% se não houvesse aumento na luz; Aos Fatos já tinha mostrado dificuldade com corte de despesas


Apresidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (2) que o governo teria conseguido reduzir seus gastos administrativos se não fosse a conta de luz. Em discurso durante a reabertura dos trabalhos do Congresso, disse que o Executivo reduziu em 10,2% as despesas de custeio, excluindo o aumento da tarifa de energia.

Aos Fatos já havia mostrado em janeiro que o governo tinha dificuldades em cortar despesas por conta dessa alta. O quadro se mantém. Veja o que checamos hoje.


VERDADEIRO
Se desconsiderarmos o aumento do gasto com energia elétrica, conseguimos reduzir em 10,2%, reais, as despesas de custeio do conjunto do governo federal em 2015.

Conforme Aos Fatos mostrou no início de janeiro, o governo federal aumentou em 2015 suas despesas com energia elétrica. Os dados constam doBoletim de Despesas de Custeio Administrativo, divulgado em dezembro pelo Ministério do Planejamento, e revelam variação real de 32% em relação ao mesmo período de 2014.

Entre janeiro e novembro de 2014 e janeiro e novembro 2015, os custos caíram de R$ 20,573 bilhões para R$ 20,572 bilhões — se retirada do cálculo a conta de luz, conforme o fac-símile abaixo. Trata-se de uma redução de 10,5%, 0,3 ponto percentual a mais do que Dilma afirmou nesta terça.

Fonte: Ministério do Planejamento

Conforme também mostra a tabela, o custeio total subiu sobretudo graças ao aumento da tarifa de energia elétrica. Contra R$ 1,01 bilhão gastos entre janeiro e novembro de 2014, o mesmo período de 2015 registrou R$ 1,498 bilhão — R$ 484,4 milhões a mais.

No acumulado dos últimos 12 meses, isto é, de dezembro de 2014 a novembro de 2015, a conta fica maior: R$ 1,740 bilhão foi gasto para pagar serviços de energia elétrica. No período anterior, a conta tinha ficado em R$ 1,256 bilhão. Em 2013, quando entrou em vigor a política de desoneração das tarifas de energia, o valor ficou em R$ 1,186. Ou seja, houve significativo aumento das despesas, mesmo em um período de estímulo à sua contenção.

O Ministério do Planejamento ainda não divulgou oficialmente o balanço de despesas administrativas para 2015, incluindo o mês de dezembro. No entanto, apesar da diferença de 0,3 p.p. entre o documento da pasta e a fala de Dilma, o fato é que a conta de luz foi o principal vilão para a política de ajuste doméstico do Executivo federal.


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