Áudio traz alegações falsas sobre riscos e transmissão no Brasil da variante ômicron

Por Priscila Pacheco

8 de dezembro de 2021, 19h18

Um áudio que circula nas redes sociais traz alegações enganosas sobre potenciais riscos da variante ômicron do novo coronavírus (veja aqui). Na gravação, uma mulher que se apresenta como bióloga diz que a cepa já foi identificada em todos os estados do litoral do Brasil, o que é falso: até o dia 8 de dezembro de 2021, o país registrava casos apenas em São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Também não há evidências, até o momento, de que a ômicron seja tão letal quanto outras variantes e que as vacinas não funcionam contra ela. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), embora ainda não se saiba ao certo se infecção causada pela ômicron é mais danosa, os imunizantes atuais são considerados eficazes contra quadros graves e morte.

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Selo falso

Oi, pessoal! Bom dia! Meu nome é Mônica Travassos, eu sou doutora em Biologia, formada, pós-graduada e doutorada em Biologia. Eu venho através desse áudio, que será rápido, dar uma notícia triste a vocês. Todos os estados brasileiros que fazem o litoral do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, todos os estados do Nordeste, Norte, né? Já estão confirmados casos da nova Ômicron que é a nova variante da Covid-19. É uma variante mortal e mata tanto quanto Covid-19 e ainda não temos vacina para ela. Parece até brincadeira, mas o nosso país já está cercado com casos de Ômicron e a tendência é que esse novo variante desça para o Centro-Oeste do país.

Contém informações enganosas um áudio que passou a circular nesta semana no WhatsApp em que uma mulher que se apresenta como bióloga fala de supostos riscos da variante ômicron e da transmissão no Brasil da cepa do novo coronavírus, descoberta no fim de novembro na África do Sul.

Não é verdade que todos os estados do litoral brasileiro já confirmaram casos da nova variante, como afirma a mulher. Até esta quarta-feira (8), o país havia contabilizado oficialmente seis casos da ômicron. Destes, três foram em São Paulo e dois no Rio Grande do Sul, estados litorâneos. Há ainda uma infecção registrada no Distrito Federal.

A autora da gravação também afirma que a ômicron seria tão letal quanto as cepas já descobertas do Sars-CoV-2 e que as vacinas hoje aplicadas seriam ineficazes para impedir a infecção por esta variante, o que contraria afirmações recentes de autoridades sanitárias.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (8), a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que ainda não se sabe se a infecção causada pela cepa gera uma doença mais grave em comparação com outras variantes.

Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da instituição, os países devem investir em testes, vigilância e sequenciamento genético para obter mais informações sobre a ômicron. Ghebreyesus também ressaltou que a vacinação no mundo deve ser acelerada para evitar que a nova variante continue se espalhando. Segundo a entidade, os imunizantes atuais são eficazes contra quadros graves e mortes pela Covid-19.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também afirma que são necessárias informações mais consolidadas para saber se a nova variante é mais perigosa que as anteriores. O órgão ressalta ainda que, embora indícios apontem efetividade das vacinas atuais contra casos graves e óbitos, solicitou aos fabricantes dados sobre o impacto da variante na eficácia e efetividade dos imunizantes.

Segundo a Anvisa, para barrar o avanço da doença, a população precisa continuar sendo vacinada e que os mais vulneráveis, caso dos idosos, indígenas, imunocomprometidos, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde, devem receber a dose de reforço.

Aos Fatos não conseguiu confirmar a autoria do áudio. O nome Mônica Travassos não consta nas bases do Conselho Federal de Biologia, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e na ORCID (Open Researcher and Contributor ID), plataforma que compila nomes de pesquisadores.

No YouTube, uma versão do áudio traz ainda a foto de uma médica associada à SBM ( Sociedade Brasileira de Mastologia). Em nota, a entidade desmentiu que ela seja a autora da gravação enganosa.

Referências:

1. OMS (Fontes 1 e 2)
2. Anvisa
3. Agência Brasil
4. Conselho Federal de Biologia
5. CNPq
6. ORCID


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