Depois de dez anos desmentindo boatos na internet, nós do Aos Fatos já entendemos que há desinformações previsíveis, que são aquelas que sempre aparecem depois de algum acontecimento. Toda queimada vai ser acompanhada de posts culpando ambientalistas, toda manifestação vai ser inflada por imagens descontextualizadas…
… e todo atentado vai gerar posts tentando vincular o criminoso a um ou a outro lado político.
E isso acontece tanto quando o crime é no Brasil — o que ocorreu após um tiroteio em Campinas e um atentado numa escola em Suzano — como no exterior, a exemplo da tentativa de assassinato de Trump em 2024.
Logo, era de se esperar que a notícia de que um homem armado tentou invadir um jantar com a presença de Trump iria honrar a “tradição” desinformativa. Mas, dessa vez, os desinformadores perderam a mão.
Mais de 250 publicações — que, juntas, somam mais de 5 milhões de visualizações no Facebook — sugerem que o atirador seria filho de Lula (PT) ou do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A estratégia da desinformação é claramente para caçar cliques: fotos do atirador, acompanhadas de Lula ou de Bolsonaro, são compartilhadas junto a mensagens que terminam antes de completar os nomes dos políticos. Os posts incluem ainda links que ou levam para itens à venda na Shopee, ou para sites com textos sem relação com o ataque.
No caso de Lula, alguns posts incluem fotos geradas por IA que mostrariam o petista ao lado do atirador, identificado como Cole Tomas Allen.

Por mais absurda que essa alegação seja, temos que desmenti-la por dever de ofício. Allen não é filho de Bolsonaro ou de Lula. A imprensa americana não só identificou os pais do atirador — Thomas e Kathleen Allen — como divulgou fotos dos dois.
E também não existem fotos públicas de Allen com os políticos brasileiros citados.
O fenômeno dos caça-cliques no Facebook não é novo. Em 2017, esse tipo de conteúdo já havia sido classificado como um problema pela rede social, que anunciou que iria enfraquecer a viralização desses posts em 2017.
Com a popularização da inteligência artificial, ficou mais fácil de produzir esse tipo de conteúdo em larga escala. Hoje, as ferramentas não só conseguem criar imagens críveis para ilustrar os caça-cliques como também geram os textos e até publicam posts nas redes sociais.
Por isso, a recomendação é: não clique em links estranhos e desconfie de frases bombásticas incompletas. Para bom entendedor, meia palavra não basta: os posts colocam reticências nas mensagens, induzindo os leitores a “completar” a palavra que falta, para evitar que o post seja classificado como desinformação.
Enfim, caça cliques são f…





