Asilo político de Protógenes Queiroz na Suíça não tem a ver com acusação de fraude em urna

Por Marco Faustino

4 de agosto de 2021, 17h39

O asilo político concedido em 2016 pela Suíça ao ex-delegado da PF (Polícia Federal) e ex-deputado federal Protógenes Queiroz não tem relação com uma denúncia que fez de fraude em urnas eletrônicas nas eleições de 2014, como afirmam nas redes (veja aqui). As acusações foram arquivadas por falta de provas e ele disse a um jornal suíço que foi para o país europeu porque corria risco de morrer após ter sido exonerado da PF.

Publicações com a informação enganosa acumulavam ao menos 2.000 compartilhamentos nesta quarta-feira (4) e foram marcados com o selo FALSO na plataforma de verificação do Facebook (saiba como funciona).


Mariana Godoy, ex-Globo,agora está na RedeTV!. Ela foi até a Suíça só para entrevistar o ex-delegado da polícia federal e deputado federal Protógenes Queiroz. E saber pq ele fugiu do Brasil. Motivo: Ele foi investigar as urnas eletrônicas, e acabou descobrindo que o PT nunca venceu uma eleição às claras no Brasil!! Ele teve que abandonar tudo, e fugir para a Suíça

Postagens enganam ao afirmar que o ex-delegado da PF (Polícia Federal) e ex-deputado federal pelo PCdoB Protógenes Queiroz teve que fugir para a Suíça após descobrir fraudes nas urnas eletrônicas. Na realidade, ele disse ao jornal Sept em 2016 que o pedido de asilo obtido naquele país teria sido devido ao risco de morrer após ser exonerado da corporação. Na PF, Queiroz comandou a Operação Satiagraha, que resultou na prisão de políticos e banqueiros em 2008 e que foi anulada pela Justiça em 2011.

As peças de desinformação citam uma entrevista à RedeTV! em abril de 2017 em que Queiroz alegou, sem provas, que urnas foram fraudadas em 2014. Naquele pleito, ele obteve 27.978 votos e não conseguiu renovar o mandato de deputado federal pelo PCdoB. Na época da entrevista, o caso já havia sido encerrado há dois anos por falta de provas.

A acusação de Queiroz era baseada em relatos de supostos eleitores que afirmaram ter votado nele, mas que não teriam tido esses votos computados nos municípios onde residiam. A denúncia foi investigada pela Procuradoria-Geral Eleitoral de São Paulo e pelo MPF (Ministério Público Federal) logo após as eleições e terminou arquivada em 2015 por falta de provas e por não terem sido constatadas irregularidades.

Na entrevista, Queiroz também alegou, sem provas, que a eleição foi manipulada em favor da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Entretanto, nenhuma fraude foi identificada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nem por auditoria do PSDB, partido derrotado no pleito.

Contexto. A operação Satiagraha resultou na prisão de políticos e empresários por suspeitas de envolvimento em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Ela foi anulada em 2011 pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Por três votos a dois, a corte considerou que houve violação de princípios constitucionais por parte da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), uma vez que agentes foram convocados informalmente pelo ex-delegado para participar das investigações.

Em 2014, dezesseis dias após a derrota na eleição, Queiroz foi condenado a dois anos e seis meses de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por violação de sigilo funcional porque teria vazado informações da Satiagraha para jornalistas. Em outubro de 2015, o Ministério da Justiça exonerou o ex-delegado da PF por "infrações disciplinares".

Nessa época, Queiroz viajou para uma conferência em Genebra, na Suíça, país onde conseguiu asilo político em 2016. Ele também escreveu um livro sobre a operação, no qual alegou ter sido perseguido e demitido pelo “sistema corrupto que domina o Brasil”.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica e Lupa.

Referências:

1. Sept
2. Estadão (Fontes 1 e 2)
3. O Globo
4. BOL
5. R7
6. MPF
7. TSE
8. Correio Braziliense
9. Conjur
10. Agência Brasil
11. G1 (Fontes 1 e 2)
12. Revista Época
13. Twitter

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