Não é verdade que diversos artistas brasileiros lançaram uma campanha de apoio a Fábio Luís da Silva, o Lulinha. O vídeo usado em posts que fazem essa alegação foi gerado por inteligência artificial. Nenhuma das figuras públicas mostradas nas imagens fez manifestações favoráveis ao filho do presidente Lula (PT) nas redes sociais ou na imprensa.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 372 mil visualizações no X e dezenas de curtidas no Instagram até a tarde desta terça-feira (4).
É GRAVÍSSIMA OBSTRUÇÃO DA JUSTIÇA. QUANDO CANTORES E ARTISTAS SAEM EM DEFESA DO INVESTIGADO FILHO DO PRESIDENTE, PROVA QUE O GOVERNO É A FAVOR DOS CRIMINOSOS E NÃO DA JUSTIÇA

Publicações nas redes enganam ao afirmar que artistas gravaram vídeos para uma campanha em defesa de Fábio Luís da Silva, o Lulinha. Além do conteúdo usado nas postagens ter sido gerado por IA, não há registros de que as pessoas mostradas nas imagens tenham se manifestado a favor do filho do presidente Lula (PT).
Aos Fatos fez buscas nos perfis oficiais em redes sociais e em reportagens publicadas pela imprensa envolvendo os artistas retratados no vídeo e Lulinha. Não foram encontrados posicionamentos de Daniela Mercury, Fafá de Belém, Chico César, Fábio Porchat, Seu Jorge, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Wagner Moura, José de Abreu, Maria Bethânia e Chico Buarque.
Além da ausência de registros públicos, o vídeo apresenta diversos indícios característicos de conteúdo gerado por inteligência artificial:
- Expressões faciais mudam de forma abrupta entre um quadro e outro;
- Deformações nas mãos e nos dedos durante os gestos, que surgem com formatos e posições inconsistentes
- Também há alterações na estampa das camisetas e em acessórios conforme a imagem se movimenta.
O conteúdo enganoso começou a circular após a abertura de novos inquéritos contra Fábio Luís da Silva, autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da Polícia Federal.
Na sexta-feira (31), o magistrado autorizou uma investigação para apurar a suposta atuação de Lulinha em favor de empresários interessados em contratos da Dataprev, empresa pública responsável pelo processamento de dados da Previdência Social e de outros programas do governo federal.
Um dia antes, na quinta-feira (30), o ministro já havia autorizado outro inquérito. Nele, vai ser investigado se Lulinha cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção ao supostamente favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações com o Ministério da Saúde e com o gabinete presidencial.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e afirma que os inquéritos representam uma "fishing expedition" ou “pesca predatória”, isto é, uma investigação aberta sem indícios suficientes para justificar a busca por provas.
O caminho da apuração
Aos Fatos fez buscas nos perfis oficiais dos artistas retratados e na imprensa em busca de manifestações públicas sobre Fábio Luís da Silva. No caso do ator Wagner Moura, que não mantém redes sociais, a assessoria foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta matéria.
A reportagem analisou a gravação e identificou falhas compatíveis com conteúdo gerado por inteligência artificial, como desincronia entre fala e movimentos da boca, deformações nas mãos e alterações em roupas e acessórios.
Por fim, Aos Fatos contextualizou a checagem com informações públicas sobre os inquéritos recentemente autorizados pelo STF contra Lulinha.





