As checagens em tempo real das declarações de candidatos a prefeito de São Paulo durante as eleições de 2024 deram ao Aos Fatos o prêmio de cobertura com maior impacto no Global Fact Awards, premiação internacional em que concorreram agências de checagem do mundo todo.
O resultado foi conhecido na tarde desta quinta-feira (26) no Global Fact, maior encontro de checadores do mundo, que acontece no Rio. O evento é organizado pela IFCN (International Fact-Checking Network), do Poynter Institute, e a edição deste ano tem como anfitriões Aos Fatos, Estadão Verifica, Lupa e UOL Confere.
Nas eleições municipais do ano passado, Aos Fatos checou as declarações dos candidatos a prefeito de São Paulo no programa Roda Viva, da TV Cultura, e em dois podcasts de grande audiência — o Flow e o Inteligência Ltda..
A cobertura em tempo real do Roda Viva permitiu que declarações incorretas dadas pelos políticos fossem contestadas ao vivo. Já nos podcasts, um link com as checagens foi disponibilizado nas descrições dos vídeos para que os eleitores pudessem verificar as mentiras e verdades ditas pelos concorrentes à prefeitura.
Foi esse trabalho que permitiu que o Aos Fatos fosse o primeiro veículo a provar que o laudo apresentado pelo então candidato Pablo Marçal (PRTB) contra o concorrente Guilherme Boulos (PSOL) era falso.
O documento forjado, que alegava que Boulos havia sido internado por uso de drogas, foi exibido por Marçal na antevéspera do primeiro turno em entrevista ao Inteligência Ltda. Cerca de uma hora depois, Aos Fatos publicou texto mostrando que o laudo tinha indícios de falsificação — como erros no nome da clínica e no número do RG de Boulos.
Uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva mostrou que a velocidade com que o laudo foi desmentido teve impacto direto na escolha de eleitores indecisos, que acabaram desistindo de votar no candidato do PRTB por considerar que o uso da mentira foi uma tática “desleal”.
O impacto dos sucessivos desmentidos feitos pelo Aos Fatos durante a campanha eleitoral também pode ser sentido no próprio discurso dos candidatos que, ao longo das semanas, buscaram corrigir suas falas para evitar dar declarações consideradas falsas.
Na manhã desta quinta-feira (26), o tema do impacto das checagens já havia sido discutido no painel “A verificação de fatos funciona: medindo o impacto e comunicando-o ao público e aos financiadores”. Participaram do evento a diretora executiva do Aos Fatos, Tai Nalon, Ximena Villagrán, diretora de operações do Maldita.es (Espanha), e Olivia Sohr, diretora de Impacto e Novas Iniciativas do Chequeado (Argentina).
Na discussão, Nalon mencionou que mais de 40 grupos de pesquisa que estudam temas relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023 utilizam hoje dados do Aos Fatos, mas refletiu sobre as dificuldades em medir com precisão o alcance desse trabalho.
Nalon ponderou, entretanto, que a importância da atividade é demonstrada pela perseguição sofrida pelas agências de checagem por setores do poder e “grupos extremistas que têm uma agenda contrária aos fatos ou à ciência” — em referência à notícia de que o Aos Fatos foi uma das entidades monitoradas pela chamada “Abin Paralela”.
“Ser atacado é uma forma de impacto, mesmo que não seja o tipo de impacto positivo que queremos”, declarou.
O caminho da apuração
Os repórteres do Aos Fatos estão acompanhando o Global Fact e estiveram pessoalmente na cerimônia que anunciou os vencedores do prêmio.




