Aos Fatos recebe solidariedade de jornalistas e órgãos de imprensa após ser alvo de assédio nas redes

11 de novembro de 2020, 17h16


Jornalistas, veículos de comunicação e entidade de defesa da imprensa se solidarizaram nesta quarta-feira (11) com Aos Fatos, que é alvo desde terça (10) de uma campanha de assédio e desinformação nas redes sociais fomentada por expoentes do bolsonarismo. Os ataques tiveram início após a reportagem ter procurado um dos citados numa investigação sobre disseminação de desinformação sobre as eleições nos EUA. O objetivo, dentro dos princípios básicos do bom jornalismo, era ouvir sua versão do que Aos Fatos apurou.

O estopim para o assédio coordenado foi um e-mail enviado pelo jornalista Bruno Fávero ao blogueiro Leandro Ruschel, abrindo espaço para que ele comentasse análise do Radar Aos Fatos que encontrou desinformação em tweets dele e de outros bolsonaristas sobre as eleições dos EUA. Ruschel respondeu, mas também expôs a troca de mensagens nas redes sociais. Na sequência, nossos perfis nas redes e canais de atendimento ao público passaram a receber ofensas de modo sistemático.

Os ataques foram agravados nesta quarta-feira (11) pelo procurador da República Ailton Benedito, que não é citado na análise. Ele ressaltou que está processando o Aos Fatos e estimulou o assédio judicial contra checadores e jornalistas. A ação movida por ele é relacionada a uma outra reportagem do Radar, publicada em maio deste ano, que o citou como um dos usuários bolsonaristas do Twitter que mais promoveram o uso da cloroquina contra a Covid-19.

O assédio desenfreado nas redes levou jornalistas, veículos e órgãos de defesa da imprensa a se manifestarem em solidariedade ao Aos Fatos. A maioria deles reproduziu o tweet da jornalista Natália Viana, fundadora da Agência Pública: "Sr. @AiltonBenedito, todo jornalista tem o direito e o dever de checar falsidades vindas de quaisquer autoridades. Chama-se liberdade de imprensa e direito à informação. Estamos do lado do @aosfatos".

Esta mensagem e suas variantes foram publicadas por dezenas de colegas jornalistas. Veja algumas a seguir.



A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) divulgou uma nota de solidariedade ao Aos Fatos e de repúdio às tentativas de intimidação.

"A Abraji repudia a tentativa de intimidar jornalistas por meio de ações judiciais. É inaceitável que um representante do Ministério Público incentive de maneira irresponsável retaliações contra a imprensa fazendo uso dos Juizados Especiais Cíveis, pensados para causas de menor complexidade. Essa tática ameaça o exercício do jornalismo, colocando em risco os direitos fundamentais da sociedade à informação e à liberdade de pensamento e expressão", diz a entidade em trecho da nota.

O Congresso em Foco, a Ponte Jornalismo e a Folha de S.Paulo reportaram o processo citado pelo procurador, de modo a oferecer mais detalhes sobre a ação. O E-farsas checou a informação falsa veiculada pelo blogueiro Allan dos Santos, do Terça Livre, de que Aos Fatos receberia recursos da Open Society Foundation, ONG do bilionário George Soros, por meio da IFCN (International Fact Checking Network), entidade a qual estamos associados. Não recebemos.

"Aos Fatos segue sua missão de checar declarações e boatos nas redes, amparado nos direitos constitucionais da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão. Conforme os melhores parâmetros éticos, publicamos fatos verificados meticulosamente, damos espaço à divergência, ouvimos o outro lado, mas não admitimos ameaças contra o exercício do jornalismo. Repudiamos qualquer tentativa de cercear nossas atividades e de quaisquer jornalistas que tenham compromisso com a verdade factual", disse a nossa diretora-executiva, Tai Nalon.

As reportagens que agora estão sob ataque foram conduzidas pela equipe do Radar Aos Fatos, projeto pioneiro de monitoramento do ecossistema de desinformação no Brasil premiado neste ano pela WAN-IFRA, a Associação Mundial dos Editores de Notícias, e finalista dos Prêmio Claudio Weber Abramo e do Premio Latinoamericano de Periodismo de Investigación. Conheça a plataforma e confira as investigações já publicadas.

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