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Aos Fatos é alvo de pedido de censura em processo por difamação do site 'Jornal da Cidade Online'

12 de março de 2021, 19h10

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou no último dia 1º de março recurso do Jornal da Cidade Online contra Aos Fatos e sua diretora executiva, Tai Nalon, em que os acusa de crimes de difamação e concorrência desleal. A apelação foi uma resposta a decisão anterior do TJ-RJ, de setembro de 2020, que havia julgado a queixa-crime impetrada pelo jornal improcedente.

Aos Fatos mostrou em abril de 2020 que o Jornal da Cidade Online compartilhava estratégia de monetização de anúncios compartilhando conteúdo com um site mantido pela viúva do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, primeiro militar condenado por sequestro e tortura durante a ditadura militar.

Aos Fatos, Tai Nalon e sua defesa não foram citados ou mesmo chamados a participar do julgamento, ocorrido em 1º de março último. A defesa vai recorrer da decisão e pedir a sua nulidade.

Segundo a advogada do Aos Fatos, Sylvia Urquiza, a decisão pelo acolhimento da ação por parte do TJ-RJ vai contra os princípios constitucionais da liberdade de imprensa e de opinião. Além disso, parte de pressupostos que vão contra o entendimento constitucional geral, que favorece o réu.

"O ordenamento constitucional estabelece a liberdade de imprensa como fundamento do estado democrático. A ação proposta é uma tentativa espúria de censura, o que não é admitido no Brasil. Vamos recorrer da decisão e tomar todas as medidas necessárias contra o Jornal da Cidade Online", afirmou Urquiza.

"Respeitamos a decisão da Justiça, que certamente resguardará nossas liberdades asseguradas na Constituição. O Aos Fatos tem um histórico de retidão ética, além de apego à verdade factual, e não abre mão desse compromisso", disse Tai Nalon.

O Jornal da Cidade Online exige que o conteúdo da reportagem seja removido do site do Aos Fatos e que seja publicada retratação.

Desinformação. Em 2019, uma investigação do Aos Fatos descobriu que o Jornal da Cidade Online tinha colunistas com fotos e nomes falsos publicando críticas a políticos e magistrados. Um dos perfis apócrifos usava uma foto manipulada da escritora Thalita Rebouças.

Em 2020, reportagem do Aos Fatos apurou que o JCO e outros seis sites lucraram com a desinformação sobre a pandemia de Covid-19.

Durante as eleições de 2018, o JCO foi um dos sites de desinformação mais populares em grupos de WhatsApp, conforme levantamento publicado pelo Aos Fatos. Eles publicaram diversas peças de desinformação sobre o processo eleitoral, como, por exemplo, a de que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) teria entregue os códigos de segurança das urnas a uma empresa venezuelana, o que é falso.

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