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Checamos em tempo real o debate da TV Globo em SP

Por Bárbara Libório, Sérgio Spagnuolo, Juliana Elias e Tai Nalon

29 de setembro de 2016, 21h29

No último debate antes do primeiro turno, os postulantes ao cargo de prefeito de São Paulo recorreram a números equivocados e fatos pouco contextualizados para defender e atacar. Como já virou tradição, Aos Fatos checou em tempo real o debate da TV Globo nesta quinta-feira (29), em parceria com o UOL.

Alguns dos candidatos, como o atual prefeito, Fernando Haddad (PT), e Major Olímpio (SD) repetiram dados errados que já haviam sido verificados por Aos Fatos em outros debates.

Veja os pequenos e grandes deslizes dos candidatos à prefeitura paulistana. Leia também nosso material no UOL.


EXAGERADO
A atual prefeitura instituiu a chamada indústria da multa: R$ 1 bilhão em multas no ano passado, R$ 1,5 bilhão em multas neste ano, para 3,5 milhões de pessoas multadas até 30 de julho. — João Doria (PSDB)

O candidato João Doria foi vago em sua explicação sobre a chamada “indústria da multa”. Há diversos tipos de multa aplicadas pela Prefeitura. No entanto, o tema era transporte, e de fato em 2015 foram aplicados R$ 1 bilhão em multas de trânsito.

No entanto, para 2016, os dados estão errados. Segundo o balanço de receita arrecadada municipal, até o fim de agosto deste ano, a receita arrecadada com multas de trânsito foi de R$ 964 milhões.

O único dado equivalente aos R$ 1,5 bilhão em multas é a receita orçada para todos os tipos de multa em todo o ano.


EXAGERADO
Não é justo que mais de 500 mil pessoas estejam esperando para exames clínicos. — João Doria (PSDB)

Segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo, de 11 de setembro, o número de pessoas na fila para fazer exame na rede pública municipal de saúde era de 417.224, com espera média, ainda segundo o jornal, de 3 meses e meio até a realização do procedimento. O próprio João Dória, em debates anteriores, já se referiu a estes dados, citando "410 mil pessoas" na fila. Foi a assessoria do candidato que informou para Aos Fatos, há 10 dias, que a fonte da informação havia sido esta mesma matéria de O Estado de S. Paulo, citando déficit de 417 mil.


VERDADEIRO
Não é razoável que mais de 103 mil crianças estejam fora das creches. — João Doria (PSDB)

Segundo o compilado trimestral mais recente disponibilizado pela Secretaria Municipal de Educação, de 30 de junho de 2016, a demanda de alunos por vagas em creche era de 103.496 crianças.


VERDADEIRO
Dos 20 CEUs prometidos, [Haddad] entregou um. — Marta Suplicy (PMDB)

Segundo o site Planeja Sampa, dos 20 CEUs prometidos por Haddad, apenas um, o CEU Heliópolis, foi entregue, em abril de 2015. Outras oito unidades estão com obras avançadas e 6 estão com licitação concluída e obras iniciadas.


FALSO
Das UBS, [prometeu] 49 UBS, entregou oito. — Marta Suplicy (PMDB)

Segundo o site Planeja Sampa, o prefeito prometeu instalar 43 novas UBS e entregou nove.


FALSO
UPAs, ele [Haddad] prometeu 57 e entregou duas. — Marta Suplicy (PMDB)

Segundo o site Planeja Sampa, Haddad prometeu reformar e melhorar 20 prontos socorros utilizando o modelo das UPAs e implantar cinco novas unidades, das quais três foram entregues.


FALSO
[Sobre] programas de moradia popular, [a prefeitura atual entregou] 10%. — Marta Suplicy (PMDB)

A administração municipal de São Paulo já entregou 12.585 unidades habitacionais da meta de construir 55 mil unidades, ou seja 23% do planejado, de acordo com o site Planeja Sampa, da Prefeitura.


FALSO
Temos 3.000 ônibus a menos. — Major Olímpio (SD)

Major Olímpio voltou a afirmar que a frota de ônibus na cidade de São Paulo perdeu 3.000 ônibus. Aos Fatos já mostrou no debate da TV Record que, segundo as estatísticas da SPTrans, em dezembro de 2013 a frota contratada era de 14.805. Em agosto deste ano, a frota era de 14.755.

De fato, houve uma redução na frota na nova licitação publicada publicada em outubro de 2015: o número de veículos caiu de 14.812 para 12.898 ônibus, ou seja, uma redução de 1.914 veículos.


VERDADEIRO
O cidadão perde um mês do ano no transporte. — Major Olímpio (SD)

Tomando como referência pesquisa de mobilidade feita pelo Ibope Inteligência junto à Rede Nossa São Paulo, divulgada no último dia 18, o paulistano perde 2h01, ou 121 minutos, por dia no transporte público, em média, para cumprir sua atividade principal. Fazendo as contas, isso significa 44.165 minutos ao ano (121 minutos x 365 dias), ou 736 horas (44.165 minutos/ 60 minutos). Um mês é composto por 30 dias x 24 horas, o que soma 720 horas. Portanto, a afirmação de Olímpio, aproximada, está correta.


VERDADEIRO
Nós já pagamos, nos primeiros seis meses deste ano, R$ 1,19 bilhão de subsídios [para ônibus]. — Major Olímpio (SD)

De acordo com com balanço orçamentário da Prefeitura de São Paulo encerrado em agosto, a Prefeitura pagou R$ 1,58 bilhão em “compensações tarifárias do sistema de ônibus”. Comparativamente, seria equivalente a quase R$ 1,19 bilhão nos primeiros seis meses do ano.


IMPRECISO

30% [dos paulistanos] se deslocam com automóvel próprio. — Major Olímpio (SD)

Segundo a 10ª Pesquisa sobre Mobilidade Urbana 2016, da Rede Nossa São Paulo, o número de paulistanos que usam o veículo próprio todos os dias é de 32%.


IMPRECISO

Desbaratamos a máfia do ISS [...] R$ 151 milhões recuperados, já em caixa. — Fernando Haddad (PT)

Aos Fatos já mostrou, no debate da RedeTV!, que, segundo informação do site da Prefeitura de São Paulo de maio deste ano, foram recuperados R$ 133,9 milhões da Máfia do ISS.


EXAGERADO
Brasil é um dos países mais violentos no trânsito no mundo. — Fernando Haddad (PT)

Em números absolutos, o Brasil é de fato um dos países com maior número de mortes no trânsito, segundo o Observatório de Saúde Global da Organização Mundial da Saúde, com quase 47 mil mortes desse tipo em 2013, dados mais recentes. No entanto, o Brasil tem a 56º maior taxa de mortes no trânsito em relação à sua população total, uma medida mais utilizada para comparações, com 23,4 mortes a cada 100 mil habitantes.


FALSO
A cidade de São Paulo, até o presidente momento, foi a única que decidiu enfrentar a discussão de táxis e aplicativos regulamentando por decreto [os aplicativos]. — Fernando Haddad (PT)

A cidade de Vitória também regularizou os aplicativos como o Uber por meio de decreto do prefeito Luciano Santos Redende, datado de 25 de agosto deste ano.

No debate anterior, na TV Record, ele havia afirmado ter sido o "primeiro e único prefeito" a regularizar o Uber, também levando o selo de afirmação falsa de Aos Fatos.


EXAGERADO

Usuários de moto se queixam porque são 69 mil multas a motociclistas por mês. — Luiza Erundina (PSOL)

Segundo dados da prefeitura de São Paulo, a média de multas a motociclistas de janeiro a junho deste ano é de 63,8 mil penalidades/mês.

Inicialmente, Aos Fatos classificou a afirmação como IMPRECISA, mas, após análise, foi considerada EXAGERADA.


FALSO
Está provado por documentos da Secretaria de Segurança Pública que não baixaram as mortes na cidade de São Paulo em acidente de trânsito. — Celso Russomanno (PRB)

Russomanno tem repetido esta informação em vários debates. Sua intenção é desdizer os dados oficiais da prefeitura, que usa informações da CET, órgão municipal, para suportar a informação de que as mortes no trânsito estão caindo na cidade desde a redução da velocidade nas vias.

Já a SSP (Secretaria de Segurança Pública), órgão do governo do Estado, usa estatísticas próprias, com base nos BOs (Boletins de Ocorrência) da também estadual Polícia Militar. Segundo Russomanno, pela métrica estadual, não haveria queda de mortes do trânsito paulistano, mas essa informação é falsa.

Pelo relatório mensal divulgado pelo governo do Estado, chamado Infosiga SP, houve uma queda 16,7% no total de mortes de trânsito na capital considerado o total de janeiro a agosto, se comparado o mesmo período de 2016 a 2015. Foram 775 nos oito meses do ano passado, ou média de 97 por mês, ante 645 neste ano, ou 81 por mês.

Em todos os meses, isoladamente, sempre comparados ao mesmo mês do ano anterior, houve queda em 2016, à exceção de agosto, quando o número de mortes no trânsito somou 103, ante 90 no mesmo mês em 2015 (alta de 14,5%).

Há também oscilações para cima e para baixo entre um mês e outro. Estes dados isolados, no entanto, ainda são insuficientes para apontar mudança na tendência geral de queda.

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