Não é verdade que o ministro André Mendonça foi nomeado "coordenador-geral das eleições" e que vai fazer auditorias no processo, como alegam posts. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirmou que esse cargo não existe e que, na realidade, o magistrado será juiz auxiliar de propaganda eleitoral. Além disso, a auditoria das urnas segue procedimentos previstos antes, durante e depois das eleições.
Posts enganosos reuniam ao menos 71.250 mil interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta sexta-feira (17).
MENDONÇA VAI ABRIR O CÓDIGO FONTE DAS URNAS PRA AUDITORIA. Na tarde de hoje, Nunes Marques oficializou André Mendonça como coordenador-geral das eleições e autorizou o ministro a realizar auditorias no processo eleitoral, incluindo as urnas.

Publicações nas redes enganam ao afirmar que o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, oficializou o ministro André Mendonça como "coordenador-geral das eleições". Procurado por Aos Fatos, o tribunal disse que esse cargo não existe na estrutura da Corte.
Em abril, Nunes Marques e Mendonça foram eleitos presidente e vice-presidente do TSE, respectivamente. Um mês depois, em 22 de maio, Mendonça foi designado por Nunes Marques como juiz auxiliar da propaganda eleitoral para as eleições de 2026, função que exercerá ao lado da ministra Estela Aranha.
A atribuição do cargo é distribuir, conduzir e julgar processos relacionados à propaganda eleitoral, não envolvendo a coordenação das eleições ou a fiscalização das urnas eletrônicas.
Auditoria. As publicações também afirmam que Mendonça foi autorizado a fazer auditorias nas eleições. Os posts alegam que o ministro teria dito que "todo o processo eleitoral deste ano poderá ser auditado pelos partidos políticos, inclusive com acesso ao código-fonte". Porém, não há registros dessa fala do ministro.
Além disso, o processo eleitoral brasileiro já prevê mecanismos de auditoria antes, durante e depois do pleito. O código-fonte das urnas eletrônicas, por exemplo, foi disponibilizado para inspeção em outubro de 2025, um ano antes das eleições.
Técnicos indicados por partidos políticos, Ministério Público, Polícia Federal, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), entidades científicas e outras instituições credenciadas podem fiscalizar os sistemas utilizados nas eleições até a cerimônia de lacração, realizada semanas antes da votação.
No mês anterior ao pleito, é feita a assinatura digital e a lacração dos sistemas. Na ocasião são gerados os hashes, resumos digitais que garantem que os códigos lacrados são os mesmos que foram auditados.
Além da inspeção do código-fonte, o sistema eleitoral também conta com outros instrumentos de segurança da integridade, como o RDV (Registro Digital do Voto), sorteio das urnas para teste de integridade e boletins de urnas.
Qualquer organização interessada pode solicitar acesso aos sistemas de votação para análise e verificação pelo período necessário à realização da auditoria.
Esta peça de desinformação também foi checada pela Lupa.
O caminho da apuração
Aos Fatos procurou o TSE que informou que o cargo de "coordenador-geral das eleições" não existe.
A reportagem também consultou os atos administrativos da Corte e verificou que André Mendonça foi designado como juiz auxiliar da propaganda eleitoral para as eleições de 2026, cargo que não tem relação com a fiscalização das urnas eletrônicas.
Por fim, consultamos matérias anteriores de Aos Fatos sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e a auditoria do processo eleitoral brasileito.





