Agressão a professores registrada em vídeo não foi ordenada por Rui Costa

Por Priscila Pacheco

14 de abril de 2022, 12h31

Não é verdade que um vídeo que circula nas redes registre uma agressão a professores ordenada pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT) (veja aqui). Os agentes mostrados nas imagens são da Guarda Municipal de Feira de Santana (BA), acionada pela prefeitura em 31 de março deste ano para dispersar um protesto de docentes grevistas. O atual prefeito da cidade, Colbert Martins (MDB), é adversário político do governador petista.

As postagens enganosas reuniam ao menos 1.415 retweets no Twitter e 1.279 compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (14). O conteúdo também tem sido disseminado no WhatsApp (fale com a Fátima), mas devido à natureza da plataforma, não é possível estimar precisamente o alcance.


Selo falso

Espancamento a professores, por ordem do governador Rui Costa da Bahia, revoltou todos os professores do Brasil, que agora acordaram e estão dizendo: “Bolsonaro não bate em professores, e agora somos verde e amarelo ,Bolsonaro 2022”. Acontece que os professores reivindicavam 33% em seus salários, já que tinham esse direito, agora eles entenderam que o PT é comunista, e o comunismo é assim.

Vídeo mostra agressão da Guarda Municipal de Feira de Santana a professores

Os homens que agridem professores no vídeo que circula nas postagens checadas não agiram por ordem do governador Rui Costa (PT). As cenas mostram integrantes da Guarda Municipal de Feira de Santana (BA), que usaram cassetetes, escudos e chutes para dispersar uma manifestação de docentes da rede municipal.

No dia 31 de março, os professores ocuparam o prédio da prefeitura para reivindicar reajuste salarial e foram então reprimidos com violência pelos guardas. Na ocasião, a prefeitura disse que era contra o protesto dos docentes e acusou o grupo de danificar o patrimônio público e de interromper serviços.

O prefeito, Colbert Martins (MDB), que faz oposição ao PT, avaliou em entrevista que os guardas não cometeram excessos e que os grevistas tinham uma pauta "político-partidária".

O vídeo usado nas peças de desinformação foi divulgado no dia seguinte das agressões no perfil oficial do vereador Jhonatas Monteiro (PSOL) no Instagram. Na ocasião, professores ainda ocupavam o prédio.

Em 6 de abril, a prefeitura anunciou um reajuste de 33% para professores que recebiam abaixo do piso salarial e de 5% para os demais, mas esta última proposta foi rejeitada. A greve da categoria foi encerrada na segunda-feira (11), após liminar que ordenou o retorno sob pena de multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento e desconto no salário.

Na rede estadual, os professores não aceitaram um reajuste de 16% anunciado pelo governo de Rui Costa no dia 2 de abril. No entanto, não há registros de embates entre docentes e forças policiais do estado como as registradas em Feira de Santana.

Referências:

1. G1 (Fontes 1, 2, 3, 4 e 5)
2. Correio 24 horas
3. Prefeitura de Feira de Santana
4. Assembleia Legislativa da Bahia
5. Jhonatas Monteiro


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Esta reportagem foi publicada de acordo com a metodologia anterior do Aos Fatos.

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