Acordo entre Petrobras e bancos chineses não prevê entrega do controle da estatal

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Não é verdade que o governo federal assinou um acordo com bancos chineses que prevê como garantia a entrega do controle da Petrobras. As peças distorcem o conteúdo de memorandos de gestão e cooperação comercial assinados em 2023 que envolviam um pagamento em barris de petróleo. A legislação vigente impede que o governo entregue o controle da estatal para a iniciativa privada ou para agentes externos.

As publicações enganosas acumulavam centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta terça-feira (18). As peças também circulam no WhatsApp, plataforma em que não é possível estimar o alcance dos conteúdos (fale com a Fátima).

URGENTE: PETROBRÁS SERÁ ENTREGUE À CHINA? O recente movimento do governo brasileiro de aceitar a capitalização da Petrobras por parte da China, com a garantia implícita de ceder o controle da estatal em caso de inadimplência, é nada menos que um escândalo de proporções históricas. Trata-se de uma traição descarada à soberania nacional, um golpe contra o povo brasileiro (...)

Fotografia de uma reunião formal entre representantes da Petrobras e do Banco da China. Seis homens de terno posam para a foto em uma sala de conferências. Três estão em pé ao fundo, enquanto dois — um deles o ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates — estão sentados à mesa, assinando documentos. O ambiente é profissional, com uma grande faixa ao fundo exibindo os logotipos da Petrobras e do Banco da China, além de textos em chinês e inglês indicando um 'Acordo de Cooperação' ou 'Memorando de Entendimento'. A imagem está acompanhada de um post em rede social com um texto alarmista sobre a suposta venda da Petrobras para a China.

São mentirosas as mensagens que alegam que o governo Lula assinou um acordo que prevê a entrega do controle da Petrobras para a China caso haja inadimplência por parte da estatal. As publicações distorcem o conteúdo de memorandos de entendimento assinados entre a empresa brasileira e dois bancos chineses — China Development Bank e Bank of China — em agosto de 2023.

Conforme explicado pela própria estatal, os memorandos têm o objetivo de:

  • Avaliar oportunidades de investimentos e cooperação em iniciativas de baixo carbono e finanças verdes;
  • Auxiliar a financiabilidade da cadeia de fornecedores nacionais da Petrobras;
  • E incrementar as trocas comerciais e financeiras entre a Petrobras e empresas chinesas.

Os memorandos, portanto, não são acordos que prevêem a entrega do controle da Petrobras para a China. Segundo fontes ouvidas pelo jornal O Globo, os planos envolvem o pagamento em barris de petróleo em um período de cinco anos.

Além disso, o governo federal não pode entregar o controle da Petrobras. A lei nº 9.478/1997 determina que “A União manterá o controle acionário da Petrobras com a propriedade e posse de, no mínimo, cinquenta por cento das ações, mais uma ação, do capital votante”, o que garante o controle da empresa. Uma eventual alteração na norma só poderia ser aprovada com apoio do Congresso Nacional.

Esta alegação mentirosa circulou nas redes em 2023 e 2024, quando foi desmentida pela AFP Checamos.

O caminho da apuração

Aos Fatos realizou uma busca reversa da imagem e encontrou a nota oficial da Petrobras sobre a assinatura dos memorandos com os bancos chineses. Também procuramos reportagens publicadas pela imprensa sobre o assunto e entramos em contato com a assessoria da estatal, que não respondeu.

Por fim, pesquisamos, na legislação, impedimentos para que o governo entregue o controle da Petrobras para terceiros.

Referências

  1. O Globo
  2. Petrobras (1 e 2)
  3. Governo Federal
  4. Planalto

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