YouTube permite transmissão ao vivo com alegação de fraude eleitoral

Por Laís Martins e Sérgio Spagnuolo

3 de outubro de 2022, 14h40

Esta reportagem foi feita numa colaboração entre Agência Pública, Aos Fatos e Núcleo Jornalismo para a cobertura das eleições de 2022. A republicação só é permitida com a atribuição de crédito para todas as organizações.


Uma transmissão ao vivo no YouTube com alegações de fraude no processo eleitoral, com supostas “provas”, permanece no ar há pelo menos 15 horas. A transmissão é um compilado de vídeos de outros usuários alegando fraude no primeiro turno das eleições, que ocorreu no domingo (2).

Um dos usuários que aparece no vídeo diz que “Bolsonaro não pode deixar haver um segundo turno nessas urnas” e que sem urnas auditáveis não pode haver segundo turno. O título do vídeo é escrito de maneira cifrada. Em vez de “fraude na eleição”, está escrito “FRAUD3 NA ELE1ÇÃ0”, o que indica uma estratégia para driblar a moderação da plataforma.

O canal que está transmitindo o vídeo possui 566 mil inscritos. No momento em que essa nota foi para o ar, cerca de 7.000 usuários assistiam à transmissão. O vídeo já possui 94 mil curtidas. A transmissão também está sendo monetizada, já que durante o vídeo há várias inserções de anúncios. Uma das propagandas exibidas é do programa War Room, de Steve Bannon.

O Núcleo Jornalismo identificou a URL desse vídeo sendo compartilhada em pelo menos nove grupos da extrema-direita no Telegram desde a noite de domingo (2).

Propaganda do programa de Steve Bannon
YouTube. Propaganda do programa do Steve Bannon.

O Núcleo Jornalismo entrou em contato com o YouTube para questionar se a plataforma irá agir no caso da transmissão. Este texto será atualizado caso haja posicionamento.

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