Bolsonaristas usam WhatsApp e Telegram para coordenar assédio contra ministros do STF

Por Bianca Bortolon, Ethel Rudnitzki, João Barbosa e Milena Mangabeira

16 de novembro de 2022, 18h53

Bolsonaristas usaram grupos de WhatsApp e Telegram para coordenar ataques contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) durante a passagem deles por Nova York, nesta semana, onde participaram da Brazil Conference, evento anual realizado pelo Grupo Lide, empresa fundada e controlada pelo ex-governador paulista João Doria.

Correntes nos aplicativos de mensagem divulgaram informações pessoais dos magistrados e disseminaram desinformação contra eles. Pedindo pelo fechamento da corte, intervenção militar e com gritos ofensivos contra os ministros, manifestantes se concentraram na frente do hotel em que os ministros estavam hospedados e na entrada do evento.

Os endereços estavam sendo divulgados em grupos de WhatsApp e Telegram de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela reeleição. “Acabamos de descobrir o Hotel onde estão os ministros do Supremo Tribunal Federal em New York, repassem para todos brasileiros nos EUA”, dizia mensagem encaminhada em pelo menos quatro grupos monitorados pelo Radar Aos Fatos.

As comunidades também orquestraram ataques à página do local onde o evento foi realizado. “Encham a caixa de mensagens do Harvard Club com as verdades que a opinião pública internacional precisa saber!!”, orientava a corrente que circulou em 12 dos grupos monitorados.

Os ataques continuaram até o retorno dos magistrados ao Brasil. Na manhã desta quarta-feira (16), mensagens que divulgavam o número do voo do ministro Alexandre de Moraes para o Brasil foram encaminhadas mais de 90 vezes em comunidades no Telegram.

  • Entre segunda (14) e quarta (16), o Radar Aos Fatos identificou 16 correntes no Telegram ataques relacionados à visita dos ministros a Nova York, somando 439 compartilhamentos;
  • No WhatsApp, foram 32 mensagens encaminhadas 114 vezes.

Além da exposição de endereços e xingamentos aos ministros, postagens recuperaram antigas mentiras contra os magistrados como imagem falsa que mostra Ricardo Lewandowski como membro de grupo revolucionário durante a ditadura civil-militar, que circulou em 10 mensagens compartilhadas 43 vezes entre domingo (13) e quarta (16).

Outra corrente recuperou fala descontextualizada de Luís Roberto Barroso para criticar sua resposta a ataques de bolsonaristas em Nova York. Ao ser perseguido por manifestantes nas ruas da cidade, o ministro retrucou: “Perdeu, mané, não amola”, atitude que foi criticada por opositores.

Também viralizaram falsos ataques aos ministros, entre elas vídeo com supostas críticas feitas durante palestra do ministro Alexandre de Moraes, que na verdade mostrava ataque ao secretário geral da OAS (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro; e mensagens que alegavam que um objeto sexual teria sido atirado contra o ministro durante o evento — o que não ocorreu.

A participação na Brazil Conference tem servido como munição para ataques e desinformação contra os magistrados desde que o evento foi anunciado em julho deste ano. Na época, postagens enganosas nas redes sociais diziam que os ministros teriam confirmado presença em palestras sobre “novo governo”, antes da realização das eleições. Na verdade, eles participaram de painel sobre liberdade e democracia.

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