WhatsApp tem ataques machistas a candidatas após Bolsonaro reclamar de ‘mimimi’ no debate

Por Bianca Bortolon, Ethel Rudnitzki e Milena Mangabeira

29 de agosto de 2022, 17h28

Duas interações do presidente Jair Bolsonaro (PL) com mulheres, durante o debate na noite de domingo (28), dominaram as conversas sobre o programa nas redes — e ensejaram um contra-ataque de apoiadores bolsonaristas no WhatsApp.

  • A primeira foi quando o candidato à reeleição atacou a jornalista Vera Magalhães, o que ocasionou demonstrações de apoio a ela por parte de outros candidatos.
  • A segunda foi instada pela candidata Simone Tebet (MDB), após o episódio envolvendo Magalhães, ao questioná-lo: “Candidato Bolsonaro, por que tanta raiva das mulheres?” Na resposta, ele reclamou de um suposto “vitimismo” de mulheres.

Ainda durante o programa, após essas interações, apoiadores do presidente passaram a compartilhar mensagens de ataque especificamente às duas candidatas presentes ao debate.

Entre a noite de domingo (28) e a manhã desta segunda-feira (29), o monitor de desinformação multiplataforma do Radar Aos Fatos identificou 33 correntes de baixa qualidade no WhatsApp atacando as senadoras e candidatas Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil) — veja aqui nossa metodologia.

A mais popular delas, que circulou em ao menos cinco grupos, chama a candidata do MDB de “mentirosa”, devido ao envolvimento de pessoas do partido dela com o orçamento secreto.

Mensagem que ataca candidata Simone Tebet (MDB) que circulou em grupos de Whatsapp bolsonaristas

Outras mensagens ainda distorceram a fala de Tebet durante a CPI da Covid sobre investigar desvios de verbas de governadores durante a pandemia, informação falsa que foi citada por Bolsonaro no debate.

Já correntes que miram na candidata do União Brasil a chamaram de “traidora”, por ter sido eleita em 2018 com apoio de Bolsonaro e agora estar fazendo oposição ao governo.

Pelo menos duas correntes ainda replicaram os ataques do presidente Jair Bolsonaro à jornalista Vera Magalhães.

Em menor número, os grupos apoiadores, em especial no Telegram, também compartilharam mensagens com teor misógino. Adjetivos como “louca”, “agressiva” e “ditadora” foram utilizados para definir a postura das senadoras durante o debate.

O principal alvo foi o momento em que Tebet diz, ao defender sua candidatura, a frase 'nós precisamos de uma mulher para arrumar a casa'. Aproveitando-se da fala, foram difundidas peças com recortes estratégicos e montagens da senadora carregando utensílios domésticos. Além disso, mensagens também associavam Thronicke, que é proprietária de uma rede de motéis, a uma 'tigresa'.

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