Mentiras sobre urnas com votos pré-computados para Lula viralizam na véspera do 1º turno

Por Amanda Ribeiro

1 de outubro de 2022, 17h58

Às vésperas do primeiro turno da eleição, áudios e vídeos que alegam que as urnas estão sendo abastecidas previamente com votos para o ex-presidente e candidato ao cargo pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, viralizam nas redes sociais. Ao longo da semana, o Aos Fatos desmentiu seis conteúdos do tipo, que circulam no Telegram, no WhatsApp, no Facebook e no TikTok e acumulam milhares de visualizações e compartilhamentos.

  • A primeira desinformação a sugerir que a preparação das urnas estaria sendo fraudada por petistas foi um vídeo com 500 mil visualizações no TikTok que alegava que as urnas estariam sendo manipuladas por militantes em um sindicato em Itapeva (SP). O espaço do sindicato é alugado pela Justiça Eleitoral em decorrência da falta de espaço no cartório eleitoral, que fica no imóvel ao lado.
  • Outra alegação falsa similar com cerca de 5.000 visualizações no Telegram e centenas de compartilhamentos no Facebook viralizou poucos dias depois para sugerir que dessa vez a fraude partiria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que foi presidido por Lula nos anos 1970 e de onde ele saiu, em 2018, para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba.
  • A desinformação se multiplicou em conteúdos com referências a outraos estados. Foram desmentidas alegações de urnas com votos pré-computados para Lula em Cordeiro (RJ), em Serafina Corrêa (RS) e em Brasília.
  • Em Campo Grande, um vídeo de um equipamento sendo transportado por um carro que presta serviços para a Uber também foi usado para sugerir uma suposta fraude perpetrada por petistas.

A urna eletrônica possui mecanismos de proteção para impedir que votos sejam computados antes do início das eleições. Esse tipo de fraude eleitoral era comum na época de urnas de lona e voto impresso e é conhecido como urna “grávida” ou “emprenhada”.

Antes de o primeiro eleitor registrar o voto, o presidente da seção eleitoral, na presença de mesários e fiscais, emite um documento chamado zerésima. Esse comprovante mostra todos os candidatos que estão registrados na seção e que não há nenhum voto computado.

Falsas denúncias como a de Itapeva (SP) também estão circulando como corrente de texto nos grupos de WhatsApp monitorados pelo Radar Aos Fatos. Na mensagem, as falsas denúncias de fraude são acompanhadas de pedidos de votos a candidatos bolsonaristas e ao próprio presidente Jair Bolsonaro (PL).


Esta reportagem foi feita numa colaboração entre Agência Pública, Aos Fatos e Núcleo Jornalismo para a cobertura das eleições de 2022. A republicação só é permitida com a atribuição de crédito para todas as organizações.

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