Hashtags que acusam Twitter de omissão no combate a desinformação somam 87 mil menções

Por Débora Ely

6 de janeiro de 2022, 17h48

As hashtags #TwitterApoiaFakeNews e #TwitterOmisso ultrapassaram, nesta quinta-feira (6), 87 mil menções no Twitter, segundo o site de monitoramento Get Day Trends (aqui e aqui). Com o uso delas, usuários têm acusado a plataforma de ser leniente com a desinformação no Brasil, porque não disponibiliza um canal para denúncias de postagens enganosas sobre a Covid-19 e concede selos de verificação a perfis que disseminam informações falsas.

De acordo com o Twitter, o recurso para denunciar alegações enganosas relacionadas à pandemia está em fase de testes desde agosto do ano passado, mas apenas para perfis da Austrália, da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.

As críticas à rede social ganharam força nos últimos dias, quando o Twitter concedeu o selo de conta verificada à influenciadora Bárbara Zambaldi Destefani, responsável pelo perfil “Te Atualizei”. Ela é citada em inquérito do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que apura a difusão de desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro e foi mencionada no relatório final da CPI da Covid-19.

Os usuários destacaram, ainda, que desinformadores recorrentes também possuem o selo. O Twitter afirma que a verificação “informa às pessoas que uma conta de interesse público é autêntica”. Mas, para obtê-la, o usuário precisa cumprir uma série de requisitos, como respeitar as regras da plataforma.

O movimento de críticas à plataforma já teve ao menos um desdobramento. O MPF (Ministério Público Federal) encaminhou um ofício à empresa solicitando esclarecimentos sobre a ausência do mecanismo para denúncias e os critérios adotados para a verificação de usuários. O Twitter tem prazo de 10 dias para responder.

Pelo Twitter, a empresa disse que a implementação do recurso de sinalização de informações enganosas em todo o mundo “dependerá dos resultados aferidos” e que “o selo azul tem como objetivo confirmar a autenticidade de perfis de alto alcance e engajamento” (leia a íntegra do posicionamento aqui).

Em agosto de 2021, o Twitter bloqueou o acesso da Fátima, robô checadora do Aos Fatos, à sua API, o que impede o funcionamento da inteligência artificial para detectar a divulgação de links com conteúdo desinformativo na plataforma e o envio de checagens.

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