Grupos bolsonaristas no WhatsApp miram Globo antes e após entrevista ao JN

Por Ethel Rudnitzki

23 de agosto de 2022, 17h29

Grupos de WhatsApp que reúnem apoiadores do presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), compartilharam correntes com ataques à Globo tanto antes como após a entrevista dele ao Jornal Nacional. O monitor de desinformação multiplataforma do Radar Aos Fatos identificou 130 mensagens de baixa qualidade (veja aqui nossa metodologia) sobre o assunto entre a noite de segunda-feira (22) e a manhã desta terça (23).

A mais popular, que circulou em 10 grupos, dirigia ofensas a Renata Vasconcellos e William Bonner e à Globo. Outra corrente, que circulou em pelo menos três grupos, chamava os entrevistadores de “capangas da globolixo”, “inimigos”, “militantes” e “mentirosos”, entre outros xingamentos — 63% do total de mensagens da amostra analisada.

Desde a semana passada, grupos bolsonaristas planejavam boicotes à emissora. Uma corrente que circulou em 13 grupos monitorados pelo Radar Aos Fatos entre os dias 18 e 22 de agosto pedia para que os usuários acompanhassem a entrevista, mas desligassem o canal em seguida.

Além dos ataques, pelo menos 20 mensagens foram elogiosas à participação de Bolsonaro no Jornal Nacional. Algumas delas, destacavam trechos em que o presidente repetiu alegações falsas, entre elas a última fala da entrevista, na qual ele mentiu sobre seu governo ter criado o Pix (meio de pagamento feito pelo Banco Central), sobre a transposição do rio São Francisco e sobre a anistia da dívida do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

“Aproveitou a oportunidade para mostrar as realizações do seu governo,o que a globolixo nunca fez!!!, avaliava uma mensagem. Já críticas ao presidente estiveram presentes em apenas oito mensagens de baixa qualidade identificadas pelo monitoramento.

Pelo menos cinco correntes ainda destacaram narrativas relacionadas aos termos escritos a caneta na mão esquerda de Bolsonaro. Uma delas tentou explicar as referências que cada uma das anotações fazia. No caso da palavra “Nicarágua”, a mensagem citava a tensão entre bispos da Igreja Católica e o governo da Nicarágua, com o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O Radar Aos Fatos tem identificado desde o início do mês correntes que dizem que Lula fechará igrejas, caso eleito, usando como argumento a relação do petista com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

Topo

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.