Posts com discursos contra indígenas viralizam após velório de Bruno Pereira

Por Ethel Rudnitzki

30 de junho de 2022, 11h42

"Olha os índios que passaram na Globo kkkkkkkk Se essa turma é índio eu sou astronauta kkk", diz a legenda de uma postagem com mais de 45 mil interações no Facebook. A publicação traz uma imagem da entrevista do cacique Marcos e de outros indígenas da etnia Xucuru durante o velório do indigenista Bruno Pereira, no Recife, veiculada pela TV Globo em 24 de junho.

O Aos Fatos encontrou outras 24 postagens idênticas a essa no Facebook. Juntas, elas acumularam mais de 139 mil compartilhamentos na plataforma.

Com legendas de teor semelhante, a imagem também circulou no Twitter 167 vezes, somando 13 mil interações entre os dias 27 e 29 de junho. Os tweets sugerem que os entrevistados não seriam de fato indígenas ao destacar aspectos de suas aparências, como a presença de barba e tom de pele.

“Essa fenotipagem que foi dada à figura do indígena não tem nada a ver com a realidade dos povos indígenas”, explica Dinaman Tuxá, coordenador executivo da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). “Querem criar narrativas de que há falsos indígenas, no sentido de não querer implementar ações e políticas [para essa população].”

De acordo com Tuxá, o argumento faz parte de um processo de “desinformação histórica”, que se intensificou nos últimos dias, após o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips no Vale do Javari, no Amazonas. “Isso acabou entrando muito em evidência nesse momento, mas é constante. Em outros espaços de discussão também há muitas pessoas que questionam a nossa identidade”, diz.

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