Correntes no WhatsApp e no Telegram mentem sobre o que eleitor pode ou não fazer no domingo

Por Bruna Leite, Ethel Rudnitzki e Milena Mangabeira

1 de outubro de 2022, 16h36

Correntes de mensagens no WhatsApp e no Telegram disseminam informações falsas sobre o que o eleitor pode ou não fazer neste domingo (2), data do primeiro turno das eleições gerais. A partir do monitoramento do Radar Aos Fatos, compilamos algumas das principais alegações desinformativas que circularam na última semana. Confira abaixo.

Votos anulados

  • Mensagens que circularam durante esta semana alegam que, caso o eleitor aperte o botão “confirmar” enquanto a urna estiver mostrando a mensagem “confira o seu voto”, o voto será anulado. É mentira. A desinformação apareceu em formato de imagem, vídeo e texto nos grupos monitorados pelo Radar Aos Fatos.
  • Tampouco procede a informação de que o voto é anulado caso o eleitor não vote para todos os cargos. O boato foi desmentido pelo Aos Fatos em 2018 e voltou a ser compartilhado.

Mesários organizam fraude

Grupos distribuíram mensagens alegando que mesários mal-intencionados tentariam boicotar o pleito, deixando de entregar comprovantes de votação ou de coletar as assinaturas no livro de registro.

  • “Lembrem-se de exigir o comprovante de votação após assinarem o registro. Tem muitos mesários bolsonaristas que podem não dar o recibo e depois alegarem que têm mais voto na urna do que eleitor confirmado no registro deles”, dizia uma das versões. O TSE esclarece que os mesários não interferem no registro do voto, feito pelo software da urna eletrônica. Além disso, os comprovantes de votação não servem para fiscalização da votação, apenas como recibo.
  • Outra peça de desinformação ligada aos mesários dizia que houve um crescimento exponencial no número de voluntários a partir de um movimento de bolsonaristas, o que é mentira. O tribunal diz que o avanço é gradual desde 2016 e atribui isso a campanhas de divulgação. Em 2022, estão inscritos 1.820.858 mesários, dos quais 862.064 (47%) são voluntários, quatro pontos percentuais a mais em relação ao registrado em 2020.

Proibido votar com a camisa do Brasil

Diversas mensagens também desinformam sobre restrições às vestimentas de eleitores na hora da votação.

  • A principal delas dizia que o ministro Alexandre de Moraes teria proibido votar com camisas da Seleção Brasileira ou com cores alusivas à bandeira brasileira. Porém, ele nunca proferiu tal sentença.
  • Publicação do Instagram do TSE também deixa claro que os únicos vetos a “vestimentas” feitos pela Justiça Eleitoral na hora do voto são: não poder votar sem camisa e não poder votar com roupa de banho.
  • Essa desinformação ganhou força a partir de uma fala de Jair Bolsonaro (PL), presidente e candidato à reeleição, em uma transmissão ao vivo realizada no dia 28 de setembro, e foi compartilhada ao menos 25 vezes em grupos monitorados pelo Radar Aos Fatos.

Máscaras e comprovante de vacinação

Mensagens ainda recuperaram antigos decretos editados durante a pandemia de Covid-19 para desinformar sobre as exigências para a votação.

  • Uma delas dizia que seria obrigatório o uso de máscaras. No entanto, a exigência já foi derrubada em todos os estados brasileiros desde abril.
    Outra afirmava que seria necessário apresentar comprovante de vacinação para entrar nas sessões eleitorais, o que também não procede.
  • O TSE informa que a única exigência para votar é a apresentação de um documento oficial com foto, seja ele o RG, CNH, passaporte, carteira de trabalho ou aplicativo do e-título, caso tenha a imagem do eleitor.

Esta reportagem foi feita numa colaboração entre Agência Pública, Aos Fatos e Núcleo Jornalismo para a cobertura das eleições de 2022. A republicação só é permitida com a atribuição de crédito para todas as organizações.

Topo

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.