🕐 ESTA REPORTAGEM FOI PUBLICADA EM Dezembro de 2022. INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE TEXTO PODEM ESTAR DESATUALIZADAS OU TEREM MUDADO.

Suspensa, Bia Kicis ataca Judiciário ou contesta resultado em 40% dos tuítes desde a eleição

Por Ethel Rudnitzki e João Barbosa

6 de dezembro de 2022, 18h49

Desde a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro (PL), a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) publicou 110 tuítes em que defendeu manifestações que contestam a vitória de Lula (PT) ou atacou decisões e membros do Judiciário.

  • O número representa 40% de todas as publicações feitas pela parlamentar no período, conforme levantamento do Radar Aos Fatos;
  • O perfil de Kicis, que somava 1,8 milhão de seguidores, foi suspenso por decisão judicial sigilosa na tarde desta segunda-feira (5);
  • Antes de o Twitter cumprir a decisão judicial, a parlamentar classificou a decisão como “censura” e “atentado à democracia”.

“Acabo de ser informada que o Xandão [ministro Alexandre de Moraes] mandou bloquear todas as minhas redes sociais. Sem contraditório, sem nada. Certamente por eu tanto denunciar a tirania hoje reinante no Brasil. Aonde vamos parar?”, escreveu Kicis, que foi reeleita neste ano.

A deputada já havia utilizado o Twitter para criticar decisões anteriores da Justiça, entre elas as que determinaram a exclusão de postagens desinformativas por parte das campanhas eleitorais durante a disputa presidencial. Em tuíte publicado no dia 11 de novembro, ela sugeriu que as decisões afetaram a lisura do processo.

Na semana passada, a deputada participou de audiência no Senado Federal que disseminou informações falsas já desmentidas sobre as urnas e o sistema eleitoral brasileiro, e repercutiu trechos em seu Twitter.

Além das decisões judiciais, a deputada também levantou outras suspeitas infundadas sobre as eleições, como a de que o crime organizado teria interferido a favor do candidato do PT e de que as urnas eletrônicas não permitem a transparência do pleito. Para isso, ela disseminou desinformação contida no documento enviado pelo PL ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que defendia a anulação do resultado do 2º turno. Na verdade, não foram constatadas inconsistências no processo, conforme atestado pelo TSE.

A parlamentar usou as redes para endossar manifestações que recusam o resultado das urnas. Dois dias antes de ter o perfil suspenso, por exemplo, ela publicou vídeos de manifestantes em Brasília que pediam pela prisão do presidente eleito.

Em entrevista à Jovem Pan News, Kicis defendeu inclusive o pedido dos manifestantes por uma intervenção militar com base em uma interpretação falsa do artigo 142 da Constituição — que não prevê interferência das Forças Armadas. “O povo pede o que quiser. O povo está pedindo socorro”, disse, em trecho que replicou no Twitter.

Mais banidos. Outros oito parlamentares da base de apoio de Jair Bolsonaro (PL) tiveram contas bloqueadas nas redes desde a eleição. Conforme mostrou o Aos Fatos, eles encontraram estratégias para burlar os bloqueios, entre elas, o uso de perfis de outras pessoas.

Antes de ser banida, Kicis colaborou para que um vídeo da deputada Carla Zambelli (PL-SP) continuasse a circular no Twitter. “Como as redes da deputada Carla Zambelli estão suspensas, publico aqui seu esclarecimento sobre sua viagem aos EUA”, escreveu.

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