Áudios com assédio eleitoral viralizam no WhatsApp durante 2º turno

Por Bianca Bortolon, Ethel Rudnitzki e João Barbosa

27 de outubro de 2022, 14h54

O aumento de casos de assédio eleitoral — com 96% das denúncias ao MPT (Ministério Público do Trabalho) feitas durante o segundo turno — refletiu-se no universo desinformativo do WhatsApp, plataforma da Meta em que não é possível medir o alcance total de conteúdos.

  • Dos 40 áudios mais compartilhados em 287 grupos de política monitorados pelo Radar Aos Fatos, cinco (12,5%) contêm relatos e ameaças do tipo;
  • Essas gravações somam 368 compartilhamentos;
  • Segundo o MPT, foram 1.734 denúncias de assédio eleitoral contra 1.350 empresas até esta quarta-feira (26);
  • O número é oito vezes maior do que o registrado em 2018.

O áudio mais compartilhado traz o relato de um homem que se diz vendedor de concessionária. Ele narra que suas vendas dependem do resultado da disputa presidencial.

“Eu tinha um caminhão vendido, pedido tirado, aprovado. Tirei ontem a nota, imprimi o contrato, mas cheguei lá e ele [o cliente] falou ‘não vou ficar com o caminhão. Só vou ficar se o Bolsonaro ganhar a eleição’”, conta. A gravação circulou 99 vezes em grupos de política como forma de convencer pessoas a votarem em Jair Bolsonaro (PL).

Encaminhado 91 vezes, outro áudio alega que fazendeiros vão parar de produzir e demitir funcionários caso Lula (PT) seja eleito. “Com todo respeito, se tiver petista no grupo, eu peço encarecidamente repensem o voto”, diz. “Eu não estou pedindo pelo Bolsonaro, mas neste momento eu estou pensando em mim, na minha família, na família de vocês.”

Um dos inquéritos abertos pelo MPT é para investigar o frigorífico Rivelli, que montou um palanque em sua fábrica em Barbacena (MG) e deu espaço para o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PL-SP) discursar.

A cena foi registrada em vídeo por uma equipe da CNN Portugal. As imagens também mostram um diretor do frigorífico dizendo a funcionários que Bolsonaro está “conseguindo fazer a economia andar” e que isso seria benéfico para eles, gerando “mais oportunidades”.

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